quinta-feira, 12 de março de 2009
Guz tem nova página no Portal Luis Nassif
http://blogln.ning.com/profile/PauloCangussu
esse é o link para minha nova página na Web, ancorada no Portal Luis Nassif,
Como eu, ao clicar no link, vocês todos irão se surpreender com a qualidade do projeto.
http://blogln.ning.com/
É necessário (e rapidim, rapidim ) fazer o registro no Portal. Depois, fazer o seu blog e página, mais fácil ainda.O Portal reune uma das melhores seleções de vídeo de todos os tipos que já encontrei na Web.
esse é o link para minha nova página na Web, ancorada no Portal Luis Nassif,
Como eu, ao clicar no link, vocês todos irão se surpreender com a qualidade do projeto.
http://blogln.ning.com/
É necessário (e rapidim, rapidim ) fazer o registro no Portal. Depois, fazer o seu blog e página, mais fácil ainda.O Portal reune uma das melhores seleções de vídeo de todos os tipos que já encontrei na Web.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Desenhando Luiz Nassif, em Belzonte, 1997 , no Pedacinhos do Ceu
Veja mais fotos como esta em Portal Luis Nassif
Não ví, ainda, Nassif, no seu magnífico Portal, e talvez por falta de tempo para rastreá-lo, referências mais contundentes à sua expertise de bandolinista e chorão. Os anos correm, mas é possivel lembrarmos ainda da noite memorável em que Vicente Falconi & Associados, entre eles você, "fecharam" o bar Pedacinhos do Céu, no bairro Caiçara em Belo Horizonte, de propriedade do notável cavaquinista peçanhense Ausier Vinicius (alcunhado por mim de O melhor do Mundo, gentileza que ele sempre se apressa em revidar-me, na minha especialidade). Estavam lá notáveis, como o ex-reitor da UFMG Aluisio Pimenta, já setentão e de namorada nova, salvo engano.E é claro, o professor Falconi (vai com i mesmo, em homenagem ao juiz italiano) e sua equipe de fama internacional em gestões e seus choques.Naquele ano dediquei-me a desenhar quase todos os chorões que por ali passaram, inclusive um eterno candidato do PT meio esquecido chamado Lula.Depois, num evento, entreguei-lhe o original emoldurado.A galeria do Pedacinhos (www.pedacinhosdoceu.com.br) ainda lá permanece, como cenário de noites que suponho ainda melodiosas, pois tornei-me frequentador bissexto e ocasional, coincidentemente na mesma época em que apaixonei-me perdidamente por uma viúva de beleza rara que lá levei, seduzindo-a ao som dos mestres. Pouso hoje em paragens choronas mais próximas e condizentes com os linfoedemas com que fui distinguido pelo destino. Olhando a sua foto, e comparando-a com a caricatura, ouso dizer que a semelhança ainda é notável. Desenhei-o com o ar beatífico com que você se unge quando se aplica naquilo que suponho deva ser a sua verdadeira vocação: um deslumbrado CHORÃO de Poços de Caldas. Mas o destino é generoso, e agora também usfruo de uma página no seu Portal.Espero ser benvindo. Um grande abraço do Guz, para quem o desenho de humor é o encontro do lápis, do papel e da liberdade....
Esclarecendo as caricaturas...
Postei 4 caricaturas, desenhadas no ano da graça de 1997. Durante 7 meses frequentei o www.pedacinhosdoceu.com.br assíduamente, num frenesi caricatural que se explica pela minha incontrolável paixão pelo Choro e pela MPB, apesar dos ouvidos roucos, destruidores de afinações, que impediram-me de conseguir afinar até mesmo um pandeiro .Quando estudei violão aplicadadamente e com afinco, aos 18 anos, decorei quase todas as posições, as pestanas incríveis, dominando-as galhardamente, embora à custa de algumas câibras digitais, mas não havia energia no mundo capaz de acertar a afinação.Desistí, e voltei rapido para os meus lápis, pinceis e penas às vezes implacáveis.Então, pela ordem, vemos Luis Nassif, desenhado na gloriosa noite do professor Falconi, o cavaquinista Ausier Vinicius, devidamente codificado como o proprietário do Pedacinhos do Céu pelas alquebradas asas. Aos que não sabem, Waldir Azevedo, autor desse Choro imortal, dedicou-o a suas duas filhas, seus pedacinhos do céu.O primeiro pedido de Ausier para mim foi que, por sortilégios do desenho, o fizesse encontrar-se com Wadir no céu,tomar uma branquinha, e voltar ao seu adorado bar, sem os incovenientes daquela sinistra senhora. O terceiro é o mestre Altamiro Carrilho, motivo de frequentes homenagens do bar e seus frequentadores, quando concertava em BH. No original, em dedicatória, Altamiro chamou-me também de mestre, um exagero evidente, mas assegurou-me que fui o autor da melhor caricatura sua que já havia visto.Ó glória, ó tempore, ó more!O quarto é uma homenagem à novissima geração de Chorões, Thiago Perez, mestrando em engenharia elétrica, mas optante pelo Choro , filho de Wilson e Liliana, primos de Oswaldim de Melo Franco meu irmãozim de coração de todo o sempre. Reencontrei-os, graças mais uma vez ao destino caprichoso, na nossa Feira Tom Jobim, que aparecerá aqui e ali nos meus futuros escritos. O que mais posso querer,depois de ter nascido no país que inventou o Choro?
Federico Garcia Lorca :La casada infiel
As duas versões acima informam-nos da riqueza melódica da poesia lorqueana, um texto que já era música.
Para mim, também este poema contém a mais perfeita metáfora sobre o amor físico de dois amantes:
A casada infiel
.....A Lydia Cabrera
.....e à sua negrinha
E eu que a levei até o rio
achando que era donzela,
mas ela tinha marido.
Foi na noite de Santiago
e quase por compromisso.
Apagaram-se os lampiões
e se acenderam os grilos.
Pelas últimas esquinas
toquei seus peitos dormidos,
que a mim se abriram de pronto
como ramos de jacintos.
A goma de sua anágua
ao meu ouvido soava
como uma peça de seda
lacerada por dez facas.
Sem luz de prata nas copas
as árvores têm crescido,
e um horizonte de cães
ladra bem longe do rio.
*
Passadas as amoreiras,
os juncos e os espinheiros,
para abrigar seus cabelos
fiz um ninho sobre o limo.
Eu tirei minha gravata.
Ela tirou o vestido.
Eu, o cinto com revólver.
Ela, seus quatro corpetes.
Nem flores nem caracóis
têm uma pele tão fina,
nem os cristais sob a lua
resplendem com um tal brilho.
Suas coxas me escapavam
como peixes surpreendidos,
metade cheias de luz,
metade cheias de frio.
Naquela noite trilhei
dos caminhos o melhor,
montado em potra de nácar
sem rédeas e sem estribos.
Não vou dizer, por ser homem,
as coisas que ela me disse.
A luz do entendimento
me faz ser mais comedido.
Suja de beijos e areia
levei-a embora do rio.
Ao vento se digladiavam,
no ar, as espadas dos lírios.
Portei-me como quem sou.
Como um gitano legítimo.
Dei-lhe um cesto de costura
grande, de raso palhiço,
e não quis me enamorar
porque, tendo ela marido,
me disse que era donzela
quando a levava até o rio.
.....trad. Fábio Aristimunho
La casada infiel
.....A Lydia Cabrera
.....y a su negrita
Y que yo me la llevé al río
creyendo que era mozuela,
pero tenía marido.
Fue la noche de Santiago
y casi por compromiso.
Se apagaron los faroles
y se encendieron los grillos.
En las últimas esquinas
toqué sus pechos dormidos,
y se me abrieron de pronto
como ramos de jacintos.
El almidón de su enagua
me sonaba en el oído,
como una pieza de seda
rasgada por diez cuchillos.
Sin luz de plata en sus copas
los árboles han crecido
y un horizonte de perros
ladra muy lejos del río.
*
Pasadas las zarzamoras,
los juncos y los espinos,
bajo su mata de pelo
hice un hoyo sobre el limo.
Yo me quité la corbata.
Ella se quitó el vestido.
Yo el cinturón con revólver.
Ella sus cuatro corpiños.
Ni nardos ni caracolas
tienen el cutis tan fino,
ni los cristales con luna
relumbran con ese brillo.
Sus muslos se me escapaban
como peces sorprendidos,
la mitad llenos de lumbre,
la mitad llenos de frío.
Aquella noche corrí
el mejor de los caminos,
montado en potra de nácar
sin bridas y sin estribos.
No quiero decir, por hombre,
las cosas que ella me dijo.
La luz del entendimiento
me hace ser muy comedido.
Sucia de besos y arena
yo me la llevé del río.
Con el aire se batían
las espadas de los lirios.
Me porté como quién soy.
Como un gitano legítimo.
La regalé un costurero
grande, de raso pajizo,
y no quise enamorarme
porque teniendo marido
me dijo que era mozuela
cuando la llevaba al río.
.....Federico Garcia Lorca
intermediado por Fábio Aristimunho
Federico Garcia Lorca : a biografia completa
( do filme Morte em Granada, onde Lorca é representado pelo ator Andy Garcia)
Quem foi Federico Garcia Lorca?
Um dos maiores poetas da língua espanhola, Lorca foi assassinado pelas forças franquistas logo após o golpe de 36
por Mário M. Gonzáles*
No momento em que o mundo todo comemora o 100o aniversário do nascimento de Federico García Lorca, é inevitável considerar que ele constitui o caso evidente de uma figura histórica cujo significado político cresceu não apenas ao longo de sua vida, porém muito mais após a sua trágica morte decorrente do posicionamento do poeta como cidadão. Esse posicionamento evidencia-se ao longo de um percurso existencial que começa no ambiente liberal da família, instalada num pequeno povoado da Andaluzia, até culminar em Madri, no apoio à Segunda República, nos dias agitados que se seguem ao triunfo da Frente Popular, em 1936. Ironicamente, deixar Madri para visitar a família na pacata Granada precipitaria a tragédia, ao criar a oportunidade de que Federico ficasse ao alcance das forças reacionárias.
García Lorca nascera dia 5 de junho de 1898 em Fuente Vaqueros1, um povoado próximo da cidade de Granada, a antiga capital do último reino muçulmano da península, ocupado pelos Reis Católicos em 1492. Federico é filho de uma família burguesa. No momento do nascimento do poeta, seu pai, Federico García Rodríguez, arrendatário de terras na região do Soto de Roma, latifúndio cultivado em sistema de enfiteuse, onde se localiza Fuente Vaqueros, estava sendo beneficiado diretamente pela derrota da Espanha na guerra com os Estados Unidos, que despojaria a nação de suas últimas colônias americanas. Ao perder Cuba, a Espanha precisou encontrar onde cultivar açúcar e tabaco: as terras do Soto de Roma revelaram-se ideais para isso. Bom administrador, Federico García Rodríguez já era rico, além de viúvo sem filhos, ao casar-se, aos 37 anos, com Vicenta Lorca Romero, de 26 anos, em 1897. Pela família do pai, o nosso poeta, primeiro de cinco filhos, herdaria uma tradição de liberalismo e entusiasmo pela música e pelos livros, além do provável sangue cigano de uma tataravó; da mãe, professora primária e católica sincera, além da possibilidade de sangue judaico, herdaria sua fina sensibilidade e gosto pela música. O primeiro mestre de Federico foi Antonio Rodríguez Espinosa, professor primário formado no pensamento progressista da Institución Libre de Enseñanza2.
Em 1908, Federico é enviado a cursar estudos secundários em Almería, mas uma doença o devolve, em 1909, à casa paterna, então já instalada na cidade de Granada, onde Federico, sem nunca ser um estudante notável, levou adiante seus estudos num colégio particular. O que interessava a Federico, nesses anos, era a música. Seu mestre foi Antonio Segura Mesa, até a morte deste, em 1916, quando Federico optará pela criação literária. Em 1915, o poeta termina seus estudos secundários e se matricula na Universidade de Granada para cursar Direito e Filosofia e Letras3. Nunca seria um aluno brilhante; mas o contato com o professor de Teoria da Literatura e das Artes, Martín Domínguez Berrueta, facilitaria o desenvolvimento do seu interesse pela literatura, embora nunca abandonasse a música. Viagens de estudos organizadas pelo mestre, no verão e no outono de 1916 e em 1917, levarão Federico a percorrer boa parte da Espanha e a recolher o que seria seu primeiro livro em prosa, publicado em 1918: Impresiones y paisajes4. Além disso, nessas viagens conheceria o poeta sevilhano Antonio Machado, o mais famoso poeta espanhol desses anos, à época professor em Baeza, e que morreria no exílio, no fim da Guerra Civil. Do ano de 1917 datam as primeiras poesias de Lorca, os primeiros textos teatrais e primeiras prosas que permaneceriam inéditas até os anos 905. Essa juvenilia de Lorca estende-se até 1920 e aparece decididamente marcada pela influência do modernismo hispânico, já em retração, cujo líder tinha sido o nicaragüense Rubén Darío, falecido em 1916. Mas essa obra carrega, além de erotismo, uma identificação com Cristo que é simultânea a uma rejeição pela Igreja enquanto instituição.
Em 1919, García Lorca instala-se em Madri. Vai morar, até 1928, na Residencia de Estudiantes, produto da Institución Libre de Enseñanza, instituição essa que pretendia suprir as carências e limitações do ensino universitário mediante o contato dos estudantes com pesquisadores e intelectuais e a ênfase na consciência comunitária. Nela, Lorca faria amizades que marcariam fortemente sua existência, como com Salvador Dalí e Luis Buñuel. Em Madri, em 1920, Lorca levaria pela primeira vez uma peça sua ao palco: El maleficio de la mariposa, uma alegoria com insetos como personagens, cujo rotundo fracasso limita as representações à estréia. Esta fora possível graças ao dinheiro do pai que sustentaria Federico durante estes anos entre Madri e Granada, no intuito de que ele levasse adiante seus estudos regulares. O pai financiaria a primeira manifestação impressa da poesia de Lorca: Libro de poemas, publicado em 1921. O livro foi bem recebido pela crítica, apesar de seus toques de romantismo que, no entanto, não impedem adivinhar o poeta de vanguarda que subjaz a eles. Em alguma medida, é possível perceber também no livro a incorporação de imagens e recursos da poesia popular que serão decisivos no seguinte, o Poema del cante jondo, livro cujas poesias Federico começa a compor nesse mesmo ano, embora só venha a ser publicado em 1931. A obra é produto da enorme capacidade do poeta de assimilar os valores estéticos e a temática das canções populares andaluzas para transferi-los a poesias cuja brevidade abre caminho à sugestão daquilo que se silencia. Em boa parte, essa aproximação de Lorca à expressão máxima da música popular de sua terra está vinculada à sua amizade com Manuel de Falla, que se estabelecera em Granada em 1920 e cuja música igualmente se alimenta na cultura popular.
Dos mesmos anos (entre 1920 e 1923) datam os poemas de um livro que só veria a luz em 1983: Suites. Trata-se de uma série de poemas, estruturada com o sentido musical do título, em que os significados se adensam, à maneira do livro anterior, ao mesmo tempo que cresce um sentido de frustração próprio do universo trágico. Igualmente, data desses anos a redação de dois outros livros de poesias de Lorca. O primeiro deles, Canciones, apareceria em 1927. Também apoiado na canção popular e em sua condensação expressiva, cada uma de suas poesias omite sabiamente uma história para abrir espaço à ambigüidade poética. Pelo mesmo caminho viria o livro seguinte, aquele que faria a fama definitiva do poeta: Romancero gitano, impresso em 1928. Lorca acerta em cheio ao recuperar a fórmula popular do romance medieval castelhano, mediante o caráter fragmentário do texto poético que os românticos haviam perdido de vista na sua retomada do gênero. Focaliza em seus poemas um universo que girava em sua volta: os ciganos excluídos pela civilização burguesa. Lorca pagaria caro pelo seu acerto e pelo sucesso do livro, que teria sete edições em vida do poeta. Primeiro, pela inadequada identificação, por muitos leitores, do autor com um cigano; depois, pela redução do conjunto a um ou dois poemas e ao erotismo de um deles; mais tarde, pelo caráter "subversivo" da denúncia da Guardia Civil como agente imediato da repressão preconceituosa; por último, a pecha de ciganismo teria eco em alguns dos seus amigos que, como Buñuel ou Dalí6, caçoariam dessa poesia que julgavam inferior por distante do surrealismo francês que, para muitos, nesse momento aparecia como a culminação do vanguardismo. O fato pode estar na raiz da profunda crise que se abate sobre Lorca e que o levará a distanciar-se, partindo em viagem para os Estados Unidos. Antes do distanciamento, Lorca escrevera um poema longo, de enorme importância: a "Oda a Salvador Dalí" (1926), que teria decidida influência na obra do pintor catalão.
No período anterior à viagem aos Estados Unidos, Lorca voltara ao teatro. Já entre 1921 e 1922 escrevera uma obra para marionetes, a Tragicomedia de don Cristóbal y la seña Rosita, em que aflora um dos temas básicos do seu teatro: a anulação do indivíduo pela instituição, fundamentalmente a do casamento imposto. O texto é uma farsa para marionetes, mas é inevitável perceber que já se faz presente a tragédia, particularmente a tragédia da mulher, que dominará nas obras teatrais mais conhecidas de Lorca. A peça só chegaria aos palcos postumamente, em 1937. Uma outra, no entanto, escrita entre 1922 e 1925, Mariana Pineda, iniciaria a conquista das platéias por Lorca com sua estréia em 1927. A obra tem como protagonista uma heroína granadina da luta dos liberais contra a ditadura de Fernando VII, executada em 1831, que Lorca faz vítima também de uma paixão não correspondida, o que leva a personagem a assumir-se como símbolo da liberdade e, assim, poder ser identificada com esta, que parece ser o único amor do homem que a abandona. A estréia é um enorme sucesso.
Nesses mesmos anos, Lorca trabalhava também em outras três peças que só seriam encenadas anos depois. A primeira delas, Doña Rosita la soltera, só seria concluída em 1935, ano da sua estréia; a segunda, La zapatera prodigiosa, teria duas versões sucessivas: uma encenada em 1930, e outra encenada em Buenos Aires em 1933. A terceira, Amor de don Perlimplín con Belisa en su jardín, chegaria aos palcos em 19337. A primeira delas é o protótipo daquilo que consome as mulheres lorquianas: a espera; a segunda é uma farsa, mas expõe comicamente o trágico embate do indivíduo e a instituição; a terceira das peças mencionadas retoma o mesmo assunto, invertendo o protagonista, que passa agora a ser o velho marido.
Em junho de 1929, Lorca parte para os Estados Unidos, via Inglaterra, em companhia de Fernando de los Ríos, socialista e catedrático (deposto pela ditadura) de Direito na Universidade de Granada, um dos seus principais mentores. Viajam no Olympic, navio gêmeo do Titanic. Chegaram em Nova York no dia 25 de junho. O impacto da cidade em Lorca dá lugar a seu livro de poemas mais contundente: Poeta en Nueva York, cuja base é a denúncia da opressão, particularmente dos negros. Um outro livro de poesias, Tierra y luna, habitualmente incluído como parte do anterior, registra o modo americano de vida em imagens de pesadelo. Produto imediato de sua descoberta da América será também a sua peça de teatro mais difícil e polêmica: El público. Trata-se de uma obra voltada para o teatro, opondo o "teatro al aire libre", o teatro explícito decadente, e o "teatro bajo la arena", o teatro de sentidos profundos; a temática discutida quanto à sua representação é o amor em todas as suas possibilidades, incluindo a homossexualidade. Lorca nunca quis levar a peça ao cenário por julgar que não seria aceita à época; entregou o texto (que, depois, só se recuperaria incompleto) ao seu amigo Rafael Martínez Nadal ao partir para Granada antes de morrer, com a indicação de que o destruísse se algo acontecesse a ele8. O cinema parece ter sido uma outra descoberta americana de Lorca, que escreve Viaje a la luna, um roteiro para cinema mudo, resposta, talvez, a O cão andaluz, de Buñuel.
Na viagem de volta, em 1930, Federico faz escala em Cuba, de março a junho, onde escreve boa parte dos textos citados, começa a escrever Yerma, pronuncia conferências e compõe "Son", poema de intensa identificação com o ritmo afro-cubano, como contrapartida à angustiada poesia de Nova York. Lorca chega à Espanha em julho, quando já havia morrido, após demitir-se, o ditador Primo de Rivera. A monarquia estava com os dias contados, em meio a um clima de enorme instabilidade política. Em 12 de abril de 1931, após a partida da família real, é proclamada a República. Lorca participa, em Madri, de uma passeata republicana, em cuja primeira fila ele marcha, e que é dissolvida pela Guardia Civil. Nesse ano, Lorca escreve a peça Así que pasen cinco años, chamada por ele de "lenda do tempo", que, junto com El público, faz parte do chamado "teatro impossível" de Lorca (aquele que o poeta considerava seu verdadeiro teatro), embora nada mais seja do que a transferência a uma nova linguagem dos conflitos onipresentes em sua produção dramática. Só seria representada em 1978.
Federico identificar-se-á profundamente com o projeto educativo e cultural da República e caber-lhe-á uma participação direta como diretor do grupo teatral de estudantes La barraca, o qual, entre 1932 e 1936, percorreu 64 cidades e povoados da Espanha levando o teatro de volta ao povo em mais de cem representações de treze peças. O ano seguinte seria o da estréia triunfal de Bodas de sangre, a tragédia rural em que Lorca registra o círculo fatal da sociedade movida pelos interesses econômicos, em que é esmagado o amor e, com ele, o indivíduo. O sucesso da obra inicia a liberdade econômica do poeta. Sobe ao palco também Amor de don Perlimplín con Belisa en su jardín, pronta desde 1929. Nesse mesmo ano de 1933 registrava-se a matança de camponeses anarquistas em Casas Viejas, fato que prenunciava a guinada à direita que a República daria no ano seguinte, 1934. Em setembro de 1933, Federico embarca para a Argentina, com escalas em Rio de Janeiro e Santos, para viver mais de cinco meses de intensa e triunfal atividade em Buenos Aires: conferências, primeiro encontro com Neruda, reestréia de Bodas de sangre e de Mariana Pineda, encenação de sua adaptação de Tragicomedia de don Cristóbal y la seña Rosita, com o título de El retablillo de don Cristóbal, estréia da segunda versão de La zapatera prodigiosa, direção de La dama boba, de Lope de Vega, leituras de poesias, viagem a Montevidéu etc. Em março de 1934, Lorca volta para a Espanha, onde chega com uma coleção de borboletas brasileiras presenteadas a ele na escala no Rio de Janeiro, e encontra o país nas mãos da direita vencedora das eleições realizadas em novembro de 1933.
1934 será para Lorca o ano da morte do toureiro e amigo Ignacio Sánchez Mejías, fato que levará o poeta a escrever o "Llanto por Ignacio Sánchez Mejías", uma das mais comoventes elegias produzidas em língua espanhola. Termina de escrever também El diván del Tamarit, livro de poesias com que pretende homenagear, no título, os antigos poetas árabes granadinos. E, em dezembro, vê subir ao palco a segunda das suas tragédias rurais, Yerma, escrita ao longo de cinco anos. A estréia é um sucesso, o que não impede - pelo contrário, estimula - a furiosa reação das direitas, que atacam na imprensa tanto a obra como seu autor, cuja homossexualidade é condenada cada vez mais com maior ênfase. A tragédia da mulher condenada à esterilidade denunciava, no entanto, não apenas uma sociedade enrijecida mas, talvez, a própria Espanha esterilizada pelo poder conservador. Sintomaticamente, a chegada da Ceda (Confederación Española de Derechas Autónomas) ao poder, em outubro de 1934, havia tido como resposta um movimento grevista que culminou com a sublevação armada dos mineiros nas Astúrias; esta fora sufocada em duas semanas mediante operações militares dirigidas, de Madri, pelo então jovem general Franco. Com o pretexto da revolução de outubro, a repressão acirrara-se. Os presos políticos chegaram a 30 mil.
1935 será um ano de grandes sucessos para Lorca. Homenagens e leituras de poemas, representações teatrais, publicações de poemas etc. culminam com a estréia em Barcelona, em dezembro e com grande sucesso, de Doña Rosita la soltera, o texto mais longamente trabalhado por Lorca. Trata-se da tragédia disfarçada de uma Yerma cor-de-rosa que murcha lentamente, na inútil espera do amor, confinada no espaço que a burguesia granadina concedia à mulher.
Esse clima de êxitos de Lorca, não se pode esquecer, coincidia com a crescente tensão política. Em 1936, esta se agravaria com o triunfo da Frente Popular nas eleições de 16 de fevereiro.
No dia seguinte, porém, já antes de serem conhecidos os resultados, os militares anti-republicanos iniciavam os preparativos para o golpe. Por sua vez, logo depois de assumir, o novo governo colocou em liberdade os 30 mil presos políticos e afastou dos centros de poder os militares sabidamente golpistas, como Franco e Goded, destinados às ilhas Canárias e Baleares, respectivamente.
Após o triunfo da Frente Popular, em fevereiro de 1936, García Lorca deixou mais claro ainda seu posicionamento político. Antes mesmo das eleições, ele participara de atos em apoio à Frente. Depois, será um dos assinantes do telegrama enviado a Vargas solicitando a liberdade de Prestes (28/03); denuncia a profanação que significa o uso da Alhambra para ritos cristãos (05/04); participa das comemorações do 1o de maio; participa da organização de um jantar oferecido a representantes da Frente Popular francesa (22/05); condena a ocupação de Granada pelos Reis Católicos, em 1492 (10/06); resiste, no entanto, às fortes pressões de seu amigo Rafael Alberti e da mulher deste, María Teresa León, para filiar-se ao Partido Comunista. Ao mesmo tempo anuncia estar trabalhando numa nova peça teatral sobre a fome.
Entre 1935 e 1936, Federico se dedicou a compor os Sonetos de amor, inusitada e magistral abordagem dessa forma poética com que se volta para um finíssimo erotismo polivalente9. Durante o mês de junho de 1936, García Lorca dedica-se febrilmente a escrever - e ler para os amigos à medida que a escrevia - La casa de Bernarda Alba. A peça, sabidamente tomada da realidade e pensada - nas palavras de Lorca - como um documentário fotográfico que apresenta um drama de mulheres nos povoados da Espanha, constitui também uma fortíssima denúncia da autêntica escravidão daquelas destinadas a servir aos mais ricos. Era a amplificação e encenação da famosa frase pronunciada pelo poeta em dezembro de 1934: "Eu sempre serei partidário dos pobres, dos que nada têm, e aos quais se nega até a tranqüilidade do nada".
No dia 13 de julho, Lorca viaja de Madri para Granada. Quatro dias depois, os militares fascistas se sublevam contra o governo republicano. Os golpistas se apoderam de Granada, que, no entanto, fica isolada, no meio de um território ainda republicano. Isto levou a que os sublevados passassem a prender e assassinar o maior número possível de partidários da República, antes de uma eventual retomada da cidade pelas forças leais ao governo. Além de ver detido Manuel Fernández Montesinos, seu cunhado e prefeito socialista de Granada, Lorca e sua família sofrem, de imediato, pressões que o levam a pedir refúgio na casa do poeta amigo Luis Rosales, cujos irmãos mais velhos eram notórios falangistas.
No dia 16 de agosto, de madrugada, foi executado Fernández Montesinos. Na tarde do mesmo dia, Ramón Ruiz Alonso, antigo deputado pela Ceda e rival da Falange, deteve García Lorca, no intuito de comprometer publicamente os Rosales pelo refúgio dado ao poeta, a quem acusa por escrito de ser espião russo, de ter sido secretário de Fernando de los Ríos e de ser homossexual.
Na madrugada do dia 18 (ou 19), Lorca foi levado junto com Dióscoro Galindo González, professor primário, até uma colônia de férias escolares, a nove quilômetros de Granada, entre os povoados de Víznar e Alfacar, transformada pelos fascistas em cadeia para os sentenciados à morte. Juntaram-se ali a dois banderilleros condenados por serem anarquistas. Antes do amanhecer, os quatro foram levados rumo a Alfacar. Federico e seus companheiros foram assassinados numa curva do caminho, junto de uma oliveira, a poucos metros de uma fonte que os árabes chamaram de Anaidamar, que quer dizer "a fonte das lágrimas".
--------------------------------------------------------------------------------
*Mário M. Gonzáles é professor titular de Literatura Espanhola na USP e autor, dentre outros livros, de El conflicto dramático en Bodas de sangre (FFLCH/USP, 1989).
Federico Garcia Lorca: o escritor Ian Gibson, irlandês naturalizado espanhol, em entrevista sobre o poeta- Parte I
O escritor irlandês naturalizado espanhol Ian Gibson é entrevistado sobre o seu livro "O homem que deteve Garcia Lorca" , autor também das acusações que levaram ao fuzilamento do poeta, o deputado falangista e católico radical, Ramon Luis Alonso.
Onde quer que estejam os restos, é impossível escapar à memória do espanto. Quem havia visto Federico García Lorca, em sua etapa na Residencia dos Estudantes, representar na cama macia de seu quarto a imagem e o momento de sua morte, sabia o que mais o aterrorizava naquele momento. Toda aquela via crucis deve ter sido como um chicote em sua alma e uma coroa de espinhos rasgando-lhe as entranhas. O olhar perdido, ensimesmado, ao lado de Dióscoro Galindo, dentro do carro pelas ruas da Duquesa até San Jerónimo e San Juan de Dios. Depois, pelas pedras da ladeira do Hospício e o passeio da Cartuja até a estrada poeirenta de Víznar. Depois a parada no palácio do Bispo Moscoso para um controle, em direção a Las Colonias. Depois, na escuridão, cavando sua própria tumba, tal como recordava Gerald Brenan. Uma vala que agora reclama o seu definitivo halo de luz. Como se o fato simples e frio de sua morte não fosse humilhação suficiente para esses quatro mártires.
Uma desculpa para não ir à Feira Tom Jobim , ontem à tarde: descobrindo Federico Garcia Lorca no You Tube...
Mas uma boda, o que é ?
É uma cama deslumbrante,
um homem e uma mulher,
e nada mais"
( Lorca - Bodas de Sangue)
Não, não foi a ameaça de chuva.
Até mesmo porque, ( como dizem sempre
em Brasília entre uma corrupçao e outra, quase sempre uma verborrágica verba
desviada de crianças famintas aguardando o único e saudável alimento a
que recorrem, a merenda escolar pública ... desculpem-me,... mas ando um
bocado invocado com a turminha que nos rouba democraticamente,
diáriamente, diuturnamente, quer dizer, de todos,
e já, já, vou voltar a fazer charges-porradas didáticas...! ),
agora que ando de boné preto
(para disfarçar as cãs? ô lingua!)
sinto-me protegido de todas as intempéries .
Que podem ser de variadas climatologias e eras tectônicas,
nesse tempo em que clonam de uma só vez
Renan da Mônica do Playboy,
Temer mão-leve,
Sarney (nosso elo perdido do paleozóico)
e agora, pasmem, senhoras e senhores,
tirem as criancinhas da sala,
qual Fênix de chanchada, o melífluo Collor de Melo.
De quem se pode esperar
pelo menos tres medidas imediatas:
concurso público (só serve alagoano)
para escolha de um novo PC Farias , nível XIII,
(exige-se nível superior, com pós-graduação na Máfia de Salerno),
elevaçao do preço da cocaina em Brasília e adjacências,
e convênio com a Ong PCC Já, de Fernandim Beira Mar,
para distribuição da Bolsa-Crack, que governo bom é isso aí.
Mas eu dizia que o boné pode me proteger até de uma nevasca que
transformasse a ladeira do Mangabeiras numa verdadeira Aspen.
Mas não foi isso, não, apesar da compulsão irrefreável de ir tomar uma
gonçalinha com o Luiz, gargalhar com a Rosana, desenhar com a Manu e
seus olhinhos de pura esmeralda, caindo em tentação e mergulhar num
capeletti do Pelusinho, sem antes deixar de passar na tenda indiana e
pegar uma samossa só para ganhar o brinde do temperim que só ela
(vegetariana, mas ninguém é perfeito) sabe fazer, escutando um
chorinho com os olhos umedecidos de prazer no meio da tarde.
Perdoem-me todos, mas falhei na presença por causa de Poesia.
Andaram postando no You Tube uns vídeos que não conhecia
sobre meu poeta de cabeceira, mesa e banheiro,
o granadino Federico (sem erre, faz favor) Garcia Lorca.
Quando assistí esta semana o belíssimo filme Milk, não
pude deixar de pensar no destino trágico desse grande poeta,
que foi assassinado em 1936 pelos fascistas de Granada
não somente porque era um apoiador da República
que sacudia a nação do torpor medieval e místico
(Santiago de Campostela é boa pra conta corrente do Paulo
Coelho, mas é simbolo de uma epoca de atraso e preconceitos mil),
mas principalmente porque era gay.
A Espanha de 36 devia ser como o Irã atual do Armadnejah:
sem gays, por definição, religião e decreto.
Quarenta e dois anos antes que Harvey Milk
( e o prefeito Mascone, também assassinado pelo mesmo ex-vereador psicopata),
o primeiro gay eleito para um cargo público
no nosso ex-grande Irmão do Norte fosse assassinado,
já se fuzilavam gays na España católica , apostólica e fascista.
Federico Garcia Lorca (1898-1936) não é apenas o maior poeta espanhol
de todos os tempos. Aluno de Manuel de Falla, outro gay espanhol de
imenso talento, foi compositor, pianista, desenhista expressivo,
dramaturgo que renovou o palco do mundo, cantor do avanço e dos
recônditos da alma, Federico foi fuzilado em agosto de 1936 , em local
ignorado até hoje, nos arredores de sua Granada de alhambras, em
companhia de outros republicanos, entre eles, é sabido, um professor
primário. Recentemente foram localizados alguns indícios que aguardam
a autorizaçao da família para o exame de DNA.
Devo a ele a descoberta do encanto da poesia,
até então tratada como castigo pelos meus professores de lingua pátria,
na base do decora- e -faça -uma -análise
léxica-sintática-ou-racha, senão lá vem bomba e muita surra em casa.
Lí-o a primeira vez aos quatorze anos graças ao pai do meu amigo Valdimir
Diniz, também futuro poeta e precocemente abatido numa estúpida
contramão na trincheira de Brasília por um bêbado tresloucado.
Foi na casa de Dr. Bráulio Diniz, ex-comunista,
enxadrista e homem de wit, de espírito, que descobrí que
as casas podem ser também bibliotecas.
Uma única estante com livros.preciosos que nós,
eu e Sílvio, meu irmão, íamos gradual e
lentamente caroneando.
Pois não é que agora no You Tube pode-se conhecer e muito da vida e
obra de Garcia Lorca? Porisso passei a tarde coletando, pesquisando e
saboreando os vários links dos vídeos que, a seguir, tenho a alegria
de indicar-lhes. Inicialmente, como introdução , ou degustação, alguns versos:
As seis cordas
Federico Garcia Lorca
A guitarra
faz solu�ar os sonhos.
O solu�o das almas
perdidas
foge por sua boca
redonda.
E, assim como a tar�ntula,
tece uma grande estrela
para ca�ar suspiros
que b�iam no seu negro
abismo de madeira.
sábado, 7 de março de 2009
Para Dorothy Stang (1931-2005), in memoriam , no Dia Internacional da Mulher- Victor Jara ; A desalambrar
a Desalambrar
(Daniel Viglietti)
Yo pregunto a los presentes
Si no se han puesto a pensar
Que esta tierra es de nosotros
Y no del que tenga más
Yo pregunto si en la tierra
Nunca habrá pensado usted
Que si las manos son nuestras
Es nuestro lo que nos den
A desalambrar, a desalambrar
Que la tierra es nuestra
Es tuya y de aquél
De Pedro y María
De Juán y José
Si molesto con mi canto
A alguien que no quiera oír
Le aseguro que es un gringo
O un miembro de este país
A desalambrar, a desalambrar
Que la tierra es nuestra
Es tuya y de aquél
De Pedro y María
De Juán y José
A desalambrar, a desalambrar
Que la tierra es nuestra
Es tuya y de aquél
De Pedro y María
De Juán y José
Ao unir a voz de Victor Jara, o martirizado herói e artista chileno, ao nome de Dorothy Stang, uma heroina americana que se sacrificou em defesa da grande floresta e dos povos que nela habitam, procuro fazer do Dia Internacional da Mulher, homenageando-a, uma data de reflexão sobre as desigualdades fundiárias que se avolumam em nossa pátria, numa perspectiva cada vez mais absurda e irreconciliável entre a carência absoluta dos seus habitantes , a pusilanimidade do Governo que nada altera, e a voracidade dos que querem se locupletar com a destruição da Amazonia.A desalambrar, a desalambrar, a destruir as cercas, eis a saída...
Victor Jara (1932-1973) -Comandante Che Guevara
Hasta Siempre Comandante
(Silvio Rodriguez)
Aprendimos a quererte
Desde la histórica altura
Donde el sol de tu bravura
Le puso un cerco a la muerte.
Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante che guevara.
Tu mano gloriosa y fuerte
Sobre la historia dispara
Cuando todo santa clara
Se despierta para verte.
Vienes quemando la brisa
Con soles de primavera
Para plantar la bandera
Con la luz de tu sonrisa.
Tu amor revolucionario
Te conduce a nueva empresa
Donde esperan la firmeza
De tu brazo libertario.
Seguiremos adelante
Como junto a ti seguimos
Y con fidel te decimos:
Hasta siempre comandante.
Victor Jara (1932-1973) - Te recuerdo Amanda
Te recordo, Amanda,
A rua molhada
Correndo à fábrica
Onde trabalhava Manuel.
O sorriso largo
A chuva no cabelo
Não importava nada
Você foi ao encontro dele
Com ele, com ele, com ele, com ele.
São cinco minutos. A vida é eterna em cinco minutos.
Soa a sirene. De volta ao trabalho
E tu caminhando iluminas tudo,
Os cinco minutos te fazem florescer
Te recordo, Amanda,
A rua molhada
Correndo à fábrica
Onde trabalhava Manuel.
O sorriso largo
A chuva no cabelo
Não importava nada
Você foi ao encontro dele
Com ele, com ele, com ele, com ele.
Que partiu para a serra
Que nunca cometeu erros. Que partiu para a serra,
E em cinco minutos foi destruído
Soa a sirene, de volta ao trabalho.
Muitos não voltarão, tampouco Manuel.
Te recordo, Amanda
A rua molhada
Correndo à fábrica
Onde trabalhava Manuel.
Victor Jara (1932-1973) - Preguntitas sobre Dios , de Ataualpa Yupanqui
Víctor Lidio Jara Martínez (Chillán, 28 de setembro de 1932 — 16 de setembro de 1973) foi um músico, compositor, cantor e diretor de teatro chileno.
Nascido numa familia de camponeses, tornou-se referência internacional da música de protesto. Foi assassinado barbaramente em 16 de setembro de 1973, em Santiago, nos primeiros dias de repressão que se seguiram ao golpe de estado de Augusto Pinochet contra o governo democraticamente eleito do presidente Salvador Allende, ocorrido em 11 de setembro daquele mesmo ano.
Preguntitas sobre Dios - (Atahualpa Yupanqui)*
Un día yo pregunté:
¿Abuelo, dónde esta Dios?
Mi abuelo se puso triste,
y nada me respondió.
Mi abuelo murió en los campos,
sin rezo ni confesión.
Y lo enterraron los indios
flauta de caña y tambor.
Al tiempo yo pregunté:
¿Padre, qué sabes de Dios?
Mi padre se puso serio
y nada me respondió.
Mi padre murió en la mina
sin doctor ni protección.
¡Color de sangre minera
tiene el oro del patrón!
Mi hermano vive en los montes
y no conoce una flor.
Sudor, malaria y serpientes,
es la vida del leñador.
Y que naide le pregunte
si sabe dénde esta Dios:
Por su casa no ha pasado
tan importante señor.
Yo canto por los caminos,
y cuando estoy en prisión,
oigo las voces del pueblo
que canta mejor que yo.
Si hay una cosa en la tierra
más importante que Dios
es que naide escupa sangre
pa' que otro viva mejor.
¿Qué Dios vela por los pobres?
Tal vez sí, y tal vez no.
Lo seguro es que Él almuerza
en la mesa del patrón.
*Obs: Essa canção foi gravada ao vivo numa turnê em Havana, Cuba, com título "Victor Jara habla y canta" e lançado pela gravadora Warner em 2.001.
Assinar:
Postagens (Atom)

