Powered By Blogger

Você usa o Skype?

Pesquisar este blog

Seguidores

Páginas

Total de visualizações de página

Postagens populares

domingo, 5 de dezembro de 2010

Para todos aqueles que amam poesia,
e também os que odiavam-na até hoje,
mas que se regozijam com a invenção
e a inteligência de um iluminado ser humano,
como o poeta, escritor,
e jornalista mineiro ( Juiz de Fora)
Affonso Romano de Santanna,
um link que se tornará o meu melhor
presente de natal para vocês, todas & todos:

http://www.affonsoromano.com.br/





Uma das aplicações interessantes que andei inventando ao longo do tempo, a utilização de caricaturas em cartões de visita personalizados por elas , demonstra que o diferente é sempre mais lembrado.

Confiram nos cartões anexos de Bebeth, uma das mais recentes advogadas de Belzonte, mas há quase oito anos ao alcance do meu coração, e de Zacarias, MMNVA (meu mais novo velho amigo), empreteiro de obras cuja competência nas mais variadas artes da construção civil fazem-no portador de um portfólio de qualidades renascentistas...comprovadas aqui mesmo, no Edifício Cartagena, rua Correias, 67, onde certamente os céticos se tornarão devotos....rárárá...! (*)


Guz
Paulo Cangussu
(31) 99299882
Skype: guz2008

( *) (estou adotando o riso onomatopaico, direto, do Zé Simão, da Folha,
mas só aceito sugestões que sejam melhores do que ...rsrsrs...kkkk..etc)

Nokia em símbolos II

A história da Nokia em símbolos

A grave patologia da educação brasileira - VIVIANE SENNA - FSPaulo ...e a Nokia como exemplo.Divulguem, até chegar na Dona Dilma...



Recentemente, recebí como bônus pela minha fidelidade à Claro um smartphone C3, da Nokia, da última geração enviada ao Brasil da empresa finlandesa.Um aparelho que atinge o estado a arte em matéria de som e recursos, a um preço de mercado competitivo, em torno de R$ 600,00/700,00.

A história da Nokia começou às margens do rio Nokianvirta - que acabou por dar nome à Nokia Company – ainda como uma produtora de papel. Pouco mais de três décadas depois, a companhia expandiu sua atuação com investimentos em borracha, em associação com a Michelin francesa. O primeiro produto fabricado pela criada Finnish Rubber Works Ltd. foi uma bota/galocha de borracha, claro.


No novo século, a empresa dá uma nova guinada e amplia seu foco de mercado novamente. A Finnish Cable Works Ltd. nasce em 1912 produzindo fios de cobre com camadas de borrachas impregnadas na estrutura. Esse foi o início das atividades em eletrônica da Nokia, que, no começo dos anos 60, começou a produzir também analisadores de pulsos eletrônicos e rádio-telefones.

Em 1966, surge a Nokia Corporation com a fusão das três empresas. O logotipo da corporação passa a ser uma representação gráfica de três setas – cada uma representando uma das empresas fundidas – apontando diagonalmente para o alto. Somente em 1987, quando a empresa já fabricava sistemas de telefonia e já era a terceira maior fabricante de televisões da Europa, cria-se uma nova logomarca com a palavra NOKIA e as três setas ao lado.

nokia arrows

Primeiro logo com a palavra Nokia depois da fusão

Em 1993, a empresa já havia cedido sua infraestrutura para a realização da primeira chamada GSM do mundo e lançado o Nokia 1011, quando o slogan “connecting people” passa a fazer parte do logotipo. Um ano depois, o azul da marca é suavizado até que em 1997, as setas são abandonadas e o logo passa a ser como é conhecido hoje em dia.

rubber works companyFinish cable works

Logo da Nokia Company:peixe no logo em referência ao rio


Nokia e Samsung lideram mercado de celulares no mundo

Nokia e Samsung lideram mercado de celulares no mundo

O mercado de aparelhos celulares continua sendo dominado pela Nokia – isso não é novidade – mesmo ela ficando algum tempo sem trazer grandes lançamentos. Em 2009, a empresa finlandesa vendeu 432 milhões de celulares, o que corresponde a 38% de todos os telefones vendidos no ano. Em segundo está a Samsung, com 227 milhões de aparelhos comercializados e 20% do mercado.


A Finlândia é um país com uma natureza muito diversa, o seu clima e localização geográfica faz com que seja um país por excelência, com várias eco-regiões distintas, tais como o norte do Círculo Polar Árctico e a região da Lapónia e mais a sul, com um clima frio oceânico mais suave. Os dois extremos quanto ao clima e sobre as eco-regiões são Helsínquia que fica a sul e a Rovaniemi que fica a norte.
A Finlândia é um país que desfruta de paisagens naturais intactas, é um país que se destaca pelo número de lagos que cobrem uma parte da sua superfície, no total, mais de 150.000 lagos espalhados por todo o país. As suas ilhas, os seus canais, permitem-lhe a práticas de muitas actividades, tanto os desportos ao ar livre, tais como a comunicação. Estes lagos, no Inverno, geralmente estão gelados, que prevê um isolamento,por um lado e por outro a oportunidade de praticar vários desportos ao ar livre.

Área da Finlândia: 338.145 km² - Renda per capita: US$ 40.197 (estimativa 2005) - IDH: 0,871 (Pnud 2010) - desenvolvimento humano muito alto

Os dados acima se justificam para responder a uma pergunta que sempre faço: porque um país tão menor do que o Brasil, com um clima que o mantém sob o gelo a maior parte do ano, pequena população, consegue ser o maior exportador de celulares para o Brasil, em primeiro lugar numa das mais rápidas tecnologias em desenvolvimento pelo homem? Não esqueçamos que os celulares são simplesmente idéias nascidas em sinapses de cérebros humanos, como tudo o mais inventado pelos seres humanos. As coisas, os objetos, os equipamentos, se iniciam pela sinapse humana. Enquanto no Brasil temos um clima favorabilíssimo, 200 milhões de habitantes, porque temos que importar sinapses finlandesas? A resposta é uma só, que resulta no Índice de desenvolvimento humano de 0,871, considerado muito alto: uma professora primária na Finlândia tem o salário de R$ 8000,00: isso mesmo, OITO MIL REAIS!Quer dizer: gasto público em educação!A Finlândia é um dos países que mais investem em educação em relação ao PIB (6,1%). No Brasil, são 3,9% do PIB. O fato de a Finlândia ser a nação com menor índice de corrupção do mundo faz com que o aproveitamento do dinheiro seja ainda maior.

(Do artigo no link:http://bit.ly/dqnBUv )



São Paulo, segunda-feira, 22 de novembro de 2010



Texto Anterior | Próximo Texto | Índice | Comunicar Erros

TENDÊNCIAS/DEBATES

A grave patologia da educação brasileira

VIVIANE SENNA

O Brasil se destaca como um "case" de egossintonia secular, em relação a disfunções e sintomas graves, como a falta de equidade e de educação


Em 20 anos de prática clínica, observei que os sintomas são nossos aliados. E tão melhores quanto mais nos incomodem.
Como verdadeiros sistemas de alarme, sinalizam que alguma coisa está em risco. Portanto, são eles que nos permitem mudar o desfecho de uma história, de nossa história. Desde que os ouçamos.
Quanto mais egossintônico é um sintoma para um indivíduo, pior será o seu prognóstico. Do mesmo modo, quanto mais confortável uma sociedade se sente com seus distúrbios, piores serão as chances de superá-los.
O Brasil se destaca como um "case" de egossintonia secular, em relação a disfunções e sintomas graves, como a falta de equidade, de ética e de educação.
Prova disso é que levamos mais de 300 anos para editar o primeiro livro e fundamos nossa primeira universidade apenas no século 20, 300 anos depois da primeira universidade da América Latina e 400 anos após a primeira universidade da América do Norte, Harvard.
Ninguém sentiu desconforto com isso ou com o fato de que essa universidade foi criada apenas para conceder o título honoris causa ao rei da Bélgica. Não é à toa que, em 1950, convivíamos pacífica e confortavelmente com taxas de 50% de analfabetos absolutos, enquanto a Argentina e os EUA tinham, respectivamente, 14% e 3% de analfabetos.
Tudo isso sem contar que, em 1900, essa taxa era de 65%, o que significa que levamos meio século para reduzi-la em 15 pontos percentuais! No primeiro censo escolar, de 1932, o índice de repetência na primeira série era de 60%. Quase 50 anos depois, no censo de 1980, esse índice foi reduzido para incríveis 50%. Hoje, essa taxa para o ensino fundamental é de cerca de 20%, colocando-nos atrás de países como Uganda, Ruanda e Haiti.
No entanto, continuamos convivendo pacificamente, também, com consequências dessa realidade: a evasão e o abandono.
De cada dez crianças que entram na primeira série do ensino básico, só três o concluem. E mais: apenas uma em cada dez sabe o que deveria saber para o terceiro ano do ensino médio. E um quinto desses alunos tem, em matemática, nível de quarta série do fundamental.
E qual é a reação diante desse quadro? As pesquisas mostram que 70% das famílias de alunos de escolas públicas estão satisfeitas com o ensino que seus filhos recebem. Fica difícil decidir o que é mais grave: o cenário da educação ou nossa reação diante dele.
É possível, no entanto, suplantar esse padrão histórico de egossintonia com situações graves como essa. Como mostra o movimento Todos pela Educação, até 2022 podemos atingir o padrão de desempenho escolar da média dos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Para isso, precisamos aliar compromisso ético com competência técnica.
Estudo feito por Ricardo Paes de Barros, com cerca de mil municípios parceiros do Instituto Ayrton Senna, mostra que é possível acelerar o desenvolvimento educacional entre seis e 11 anos a cada ano de trabalho, não importando as condições adversas e a região do país.
Altamira, no Pará, tinha 70% de seus alunos atrasados. Hoje, esse número está em torno de 20%. Em São Vicente (São Paulo), o antigo índice de 16% de alunos com distorção de idade e de série está em 3%.
A rede de ensino de Boca do Acre (Amazonas) reduziu a taxa de defasagem de 70% para 19%, alcançando o primeiro lugar no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da rede estadual (4,4).
Assim, a despeito da extrema seriedade do quadro educacional brasileiro, é possível rever o curso.
Basta ouvir os sintomas e aliar a vontade ético-política à competência técnica, transformando incômodo em resultados para mudar toda uma história. A nossa história.
VIVIANE SENNA, formada em psicologia pela PUC-SP, é presidente do Instituto Ayrton Senna e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.

Para nossa presidenta Dilma, com carinho, um antidoto contra o machismo desvairado com que o Poder se locupleta : Fale com ela, de Pedro Almodóvar




Em 2003, o sucesso no cinema foi o filme Fale com ela, de Pedro Almodóvar, uma denúncia contra o machismo. Com suas ricas metáforas visuais, polêmicas e inovadoras, Almodóvar levou-me a programar com Silvio, meu irmão mais velho, mestre em filosofia, discussões que chamávamos de Arengas Matinais, no então apartamento de minha mãe. Uma forma também criativa de visitá-la, empaturrar-nos de seus biscoitos de polvilho ao jeito de Salinas, e ao mesmo tempo clarearmos o impacto que nos causou o filme, revisto várias vezes.


O resultado foi um artigo crítico em duas partes, publicado pelo falecido Jornal de Casa. Passadas as eleições, a atenção concentra-se nas primeira mulher a dirigir a nação brasileira. Como candidata, acompanhei os seus críticos. Mas, como democrata que desconfia de paradigmas imutáveis, principalmente dos proprios, não há porque não reconhecer os méritos e a biografia corajosa de nossa presidenta, e desejar-lhe mais acertos do que erros. E, como denuncia Almodóvar, o maior erro será confundir-se com os homens que a interfaciam. Como está no texto abaixo, o machismo e o seu atraso penetram até mesmo nas mulheres...

Vejam no link abaixo a análise de Isabela Boscov, da Veja:

http://www.youtube.com/watch?v=czPgf_5DE48


Fale com ela :

o machismo é uma tourada torta



"A moça e a mulher, em sua nova e peculiar evolução,

apenas transitóriamente imitarão os hábitos e os vícios masculinos,

só transitóriamente repetirão as profissões masculinas."



(Rainer Maria Rilke – Cartas a um jovem poeta)





De repente, uma unanimidade: o último filme de Almodóvar agrada a todos, é premiado em festivais com os adjetivos mais díspares, o Oscar está no papo, ele é um belíssimo e trágico filme que conta a história da impossível comunicação entre os seres, principalmente entre a toureira e os touros. Quer dizer, gostei muito, adorei, adorei muito mesmo, mas o fim é assim meio incompreensível. Mas filme de arte é desse jeito, a gente não tem que entender tudo, é só sentir. Depois dele vou ver umas duas comédias bem leves. Como diz o Ancelmo Góis : é, pode ser.



Mas não é. É um filme pensado e elaborado por um grande artista, que se supera a cada filme, ou melhor, a cada reflexão. Desde o princípio, já na primeira cena, embalado pela belíssima voz de Elis Regina, e depois, por Caetano Veloso (quase uma soprano), o filme nos aponta a que veio: esconjurar líricamente o machismo que sobrevive, agora entranhado nas mulheres. O machismo dos homens já foi suficientemente exposto e rididularizado o suficiente, para que só faça a sua aparição de forma velada em supostos e agonizantes nichos folclóricos, entre outros os nossos Machões Mineiros. Mas o filme O Porteiro nos demonstrou que o pior da tortura é o compromisso que se estabelece entre o torturador e sua vítima. Assim também aconteceu com o machismo. Como um Alien soturno, ele penetra os mais lindos corpos e faces femininos.



Pelos nomes, Pedro Almodóvar didaticamente nos dirige para o assunto central. Lídia significa luta, touro de luta. Seu ex-amante ( o toureiro que Lídia quer superar) é El Niño, o menino. Marcos é argentino e o seu nome é o mesmo do líder de Chiapas. Marcos é um agente de mudança, um Che. Benigno, é o que faz o bem. Alicia, bailarina, símbolo da Arte, uma homenagem a Alicia Alonso, primeira dama do balé cubano, país por quem o diretor nutre pertinaz admiração ( ele sempre doa a Cuba o que sobra da filmagem).O pequeno filme mudo, uma metáfora quase que explícita, que termina com o amante reduzido a uma ínfima dimensão, desaparecendo dentro da enorme vagina, chama-se O Amante minguante. No balé inicial de Pina Baush, o homem indica a porta, a saída. Mas não existe a porta, e sim a parede. Não há saída no machismo.



O machismo é sinônimo do Poder, da vontade do Poder, o filho dileto do mundo capitalista. Vivemos o auge do capitalismo, da vontade do Poder.É preciso dominar a vida, pois assim eu domino a morte, essa demanda terrível em que fui jogado desde que nasci.E a forma que nós lidamos com esse desamparo é o esforço para o domínio da realidade do dia a dia, da violência que se explicita a cada esquina, seja pelo Bush e sua guerra voraz, seja o Beira Mar, o FMI, o Big Brother. A morte é desvelada a cada momento. Dominá-la é preciso e o Poder faz isso. O machismo é uma defesa contra este meu desamparo. Nem que sejam quinze minutos de Poder.



Espanhol e artista, Almodóvar utiliza a tourada como exemplo. Na sua fragilidade, o toureiro traz a esperança de dominar o touro, a pulsão da morte, na cerimônia da capa curta. Lídia é a luta para recuperar o amante perdido, El Niño.Ela perdeu o Poder. Ela tudo faz, inclusive enfrentar seis touros negros acima de 500 quilos ao mesmo tempo para tê –lo de volta. É o mais poderoso dos seres, no desvario da razão, mas não deixa de ser mulher. Ela tem medo da cobra na cozinha, um medo que faz questão de sepultar. Ao negar o seu desamparo, Lídia se expõe à violência que pretendia evitar. Torna-se um ser vegetativo, à margem do Poder, na completa alienação , em estado de coma. Benigno, o que bem faz, quer compactuar com o machismo através da palavra e da linguagem . Alicia também está agora em estado de coma, e Benigno fala com ela todo o tempo, e incita Marcos a fazer o mesmo com Lídia Fale com ela. Nosso casamento é melhor do que muitos outros.Mas só ele fala, pois a vontade do poder , a negação do desamparo, impedem a visão e a escuta do outro. E a propósito, ele cita o pequeno filme mudo O amante minguante, onde o simbolismo é direto e rápido. A cientista submete o amante a uma poção experimental, e ele se vê reduzido às dimensões de um feto. No leito noturno, exasperado de desejo (do Poder) , passeia pelos seios, grandes colinas inalcançáveis, e termina penetrando completamente na vagina, e por lá desaparece. Uma das faces do machismo é também o sexo levado ás últimas fronteiras, é o desvario do homem tornar-se feto novamente. A vagina é a porta do útero, o lugar do máximo desamparo, e não mais a entrada da libertação, o amor, soterrado pela vontade do Poder. O amante minguante tentar á encontrar de novo a sua mãe no útero, ela sim, conforto cálido que o protegia da morte, na sua infância perdida para sempre.Pois no sexismo a comunicação é sempre pelo corpo, não há linguagem que o conforte e explique o seu desamparo, e o confronte. A saída para a pulsão da morte é o viver, o risco, a negação do machismo. A linguagem para explicitarmos o desamparo é também a arte. É preciso que Benigno morra para que Alicia , a representante da arte, viva. É preciso que Lídia morra, para que Marcos, o representante do risco, da aventura, o argentino Che, viva. E, na última cena, entre os espectadores de um espetáculo, os olhares de Alicia e Marcos se encontram e anunciam o princípio da libertação. Homem e mulher se olhando como dois seres que irão finalmente deixar de lado o machismo , e se encontrarão no começo do fim do desamparo de cada um. Talvez na vocação da arte e no amor.



Fale com ela:

a destruição da delicadeza



“Women who seek to be equal with men, lack ambition."
(As mulheres que querem ser iguais aos homens,

falta-lhes ambição -Tim (Timothy) Leary,

guru da contracultura e da geração fumacê, nos anos 60/70.

Ao falecer, de cancer pulmonar,

precavidamente e convicto da vitória final da ciência e da crioscopia,

pediu e foi atendido para que sua cabeça fosse secccionada

e conservada em crio de baixíssima temperatura.)



Almodóvar quase não nos dá tempo, diz logo a que veio, e chama-nos para conhecer Lídia e sua perda. .Apenas nas vozes de Elis Regina e Caetano teremos algum alívio, a música nos enternece e lembra-nos que a delicadeza pode estar próxima. Mas como, se Lídia, que significa luta, perdeu El Niño ( o menino), o toureiro , com quem exercia e disputava o Poder? Nada de delicadezas. Vamos ver durante duas horas a Mulher, Lídia, e o Homem, Benigno, transbordantes de machismo. O machismo é a vontade do Poder, a necessidade de dominar a realidade, a vida e a morte Ela vai travar a sua luta para recuperá-lo justamente no campo por excelência onde os homens lutam, a arena de touros. Mas a tourada não é tão machista como parece, pois ao vestirem-se, Almodóvar mostra-nos como os toureiros são femininos. Nem os homens são tão machos nem as mulheres tão femininas.O machismo se dissemina pelos sexos a fora. É a resposta para o terrível desamparo em que vivemos, a negação da morte , mas sem compromisso com a vida.



Nunca houve tantas mortes e tanta negação da morte. Os americanos inventaram o congelamento das pessoas mortas. Até Timothy Leary, o grande hippie, ao morrer fez congelar a sua cabeça, numa explícita e obscena negação da morte. Morre-se nas UTI´s, nos hospitais, nas estradas, nas prisões, raramente em casa, da antiga morte morrida. O que se esconde na verdade é o processo doloroso da agonia. Vivemos a época da eliminação da agonia. Quanto mais nos sentimos desamparados pela destruição da família, da solidariedade, da amizade, mais vontade de Poder, vontade de domínio. A solidariedade e a delicadeza foram destruídas pela competição desvairada, agora colocada como supremo valor. Quem não compete é fraco. Vejam os políticos e sua linguagem, como usam com maestria o domínio do Poder. Na política, só os homens falam, e as vozes das mulheres corajosas são abafadas e reduzidas pelo desprezo e pelo ridículo.



Lídia se prepara para a tourada num passe que é o limite da audácia. Ela enfrenta seis touros de 500 quilos cada um em uma única tourada, quando todo espanhol sabe que um toureiro enfrenta normalmente apenas dois touros por corrida. Ela quer suplantar os homens. Insufladas pelo capitalismo selvagem, as mulheres do século XXI sentem-se no dever de ultrapassá-los, e nessa competição propagam junto aos maridos, filhos, namorados, àqueles que interagem, a negação da morte, da velhice, da dor que coexiste em nosso viver, a felicidade pelo domínio do Poder. O resultado é uma maratona em busca do corpo mais que perfeito, isolado do Tempo, da juventude ainda que botoxizada, siliconizada, e evidentemente, quando tudo falha, lipoaspirada. Lipo-aspirações, lipo-desesperações. Do máximo de consumo, eu mesma, ao máximo do prazer, e tornar-me imortal.



O apelo ao corpo é uma pobreza de linguagem e de leitura interior, não apenas a negação de um processo, mas a negação do ser. O corpo é o Poder, glorificado pela mídia.Não há lugar para o imperfeito, para o diferente, e o menos. Tudo leva ao mais, ao superlativo. A droga é a resposta fulminante para o máximo de consumismo e de prazer, onde se encontra o não-tempo e a não-morte. E a solidão mais completa, pódio aonde se chega depois de muito Poder.



Com a capa curta, ao enfrentar de joelhos o touro negro, Lídia perde essa luta impossível. Almodóvar mostra-nos então a linguagem do machismo através de Benigno, o arauto do bem fazer, e seu discurso unilateral. A linguagem do machismo usa a palavra neste caso como instrumento de dominação. Alicia, em coma, é a interlocutora ideal .. Benigno fala com ela todo o tempo, e tenta convencer Marcos a fazer o mesmo com Lídia. No pequeno filme mudo que conta , O amante minguante, está explícita a metáfora sexual: perder-se para sempre na vagina, no útero, onde estamos protegidos do nosso desamparo.



Marcos e Alicia, os sobreviventes, nos mostrarão que o corpo, a palavra e a solidariedade também podem nos conduzir ao habitat da delicadeza e da arte. Onde não seremos nem dominadores nem dominados, mas mulheres e homens, entrelaçados de esperança, na audácia maior de viver.
O ano termina,
e o América retoma a sua glória...já prevista por mim desde 2007, nos meus blogs!

Lembrem-se: não tenho nada com isso!
Sou americano, desde Santa Efigênia -

Hítalo, da Casa das Impressoras, e o rabo da raposa...

A advertência no título é necessária, pois o destino não me quis nem atleticano nem cruzeirense: sou, com muita alegria e paciência, adepto do glorioso América , do verde e branco, de tantas glórias passadas e nunca novamene atingidas.E a justificativa aos incrédulos da revelação é simples: onde hoje se situa o hiper Extra, era o campo de futebol do coelho (assim como o galo, a raposa e os outros mascotes, criação imortal do artista Mangabeira, d´O Estado de Minas, em 1945), e foi lá, levado pelas mãos carinhosas de José, codinome Seu Sarmento do DER/MG, meu pai, que ví deslumbrado o primeiro treino do esporte bretão, ao vivo e a cores. E, como todos sabem, somos aos 64 (mas não pareço, deve ser o desenho de humor, né, não?)o que fomos aos seis, apenas com algum cinismo acrescido pela vida e pelos planos economicos brasileiros.Assim, não me constranjo em absoluto ao desenhar atleticanos puxando raposas pelos rabos azuis, nem tampouco cruzeirenses apertando os pescoços de galináceos alvinegros. Como no caso acima, do Hítalo, da minha quase vizinha Casa das Impressoras, premiado no natal passado com uma caricatura do locutor que vos fala. Ali, descobrí não somente o teclado wireless (*) que desfruto agora, mas também um ninho de simpáticas (elas, sempre, em primeiro lugar!) e simpáticos MMNVA, minhas mais novas, meus mais novos, verdadeiras amigas e velhos amigos!
(*) era bão dimais para ser verdade...depois de muitas pilhas, voltei ao tipo ligação umbilical)

Sobre a esquizofrenia que assassinou o cartunista Glauco...

Uma vantagem nós temos, os Sarmento e Gomes de Oliveira Sarmento, descendentes de Quelé (meu avô paterno) e Ludovina (minha bisavó materna) , irmãos e distribuidores de uma genética complicada: nós tomamos muito cuidado com nossos descend(o)entes.

O assassinato de Glauco, o mais anarquistas dos nossos desenhistas de humor, é ainda mais trágico porque foi resultado do desconhecimento de que os alucinógenos, o álcool e outros estimulantes provocam em esquizofrênicos.A poção do Santo Daime, que o cartunista julgava milagrosa, pois o havia curado das drogas, segundo lí, pois não o conhecí, na verdade foi o instrumento de sua morte. Transformando-se em um guru, um salvador de almas baseado nos poderes mágicos do cipó amazonense, Glauco incorreu numa generalização que contradizia toda a sua obra, de desvairado ceticismo do comportamento humano.Sabemos agora que nem todos podem tomar o Auaska, e chegará o tempo em que a sua indicação necessitará também de receita. Com tarja preta.

Do Guz, neto de Quelé e bisneto de Ludovina.

( Nascidos todos em Salinas, antigo grotão do Jequitinhonha,

terra de consanguíneos e da ignorância,

um lugar de onde não se saia na primeira metade do século XX.

Escapava-se...!)




03/12/2010 14h33 - Atualizado em 03/12/2010 15h29
Acusado de matar cartunista não responde por seus atos, diz laudo
Exame psiquiátrico afirma que Cadu é inimputável e sofre de esquizofrenia.
Jovem é acusado de assassinar a tiros Glauco e o filho dele Raoni.

Kleber Tomaz Do G1 SP
imprimir
Carlos Eduardo Nunes logo após ser preso, em marçoCarlos Eduardo Nunes logo após ser preso, em
março (Foto: Reprodução/TV Globo)

Laudo feito por uma equipe de psiquiatras e psicólogos em Curitiba constatou que Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, que confessou ter atirado e matado o cartunista Glauco e seu filho Raoni em 12 de março deste ano em Osasco, na Grande São Paulo, sofre de doença mental, portanto é inimputável, ou seja, ele não pode ser penalizado criminalmente porque não tem condições de responder por seus atos. O resultado do exame de "incidente de insanidade mental" deu positivo e constatou que o jovem de 24 anos sofre de esquizofrenia, segundo apurou o G1.

No documento, os peritos ainda recomendam que Cadu seja submetido a tratamento da doença mental por uma equipe médica especializada em hospital psiquátrico de custódia. O resultado do laudo foi encaminhado nesta semana para apreciação do juiz federal Mateus de Freitas Cavalcanti Costa e do procurador da república Alexandre Halfen, ambos de Foz do Iguaçu (PR).
saiba mais

*


Cartunista Glauco Villas Boas e filho são mortos a tiros em Osasco
* 'Cabeça' de Cadu piorou após conhecer Daime, diz família de suspeito de crime
* Viúva de Glauco presta depoimento e sai sem falar com a imprensa



Foi para Foz do Iguaçu que Cadu fugiu de carro dois dias após matar Glauco e Raoni em Osasco. Ele tentava atravessar a fronteira do Brasil com o Paraguai, quando trocou tiros com policiais rodoviários federais, ferindo um deles. Por esse motivo, todo o processo do homicídio que corria na Justiça paulista foi avocado pela Justiça Federal do Paraná. O Ministério Público Federal também denunciou Cadu por por tentativa de homicídio do policial.

Em seu despacho do dia 30 de novembro, o juiz Freitas Cavalcanti determinou que o laudo fosse remetido para análise do Ministério Público Federal. Segundo a assessoria de imprensa do MPF, o procurador Halfen não quis comentar o assunto. Já a assessoria da Justiça Federal informou que o juiz prefere não se manifestar.

Transferência
A reportagem procurou a defesa de Cadu para comentar o despacho do juiz e o resultado do laudo que constatou a inimputabilidade de seu cliente “Ele deve ser submetido a uma medida de segurança. Tem necessidade de tratamento imediato. A defesa pede para ele ser transferido para um hospital de custódia”, afirmou o advogado Gustavo Badaró, nesta sexta-feira (3).

O defensor quer que Cadu deixe o presídio federal de segurança máxima em Catanduvas, também no Paraná, onde ele está preso preventivamente. O juiz do caso ainda não se pronunciou sobre o pedido feito pela defesa do acusado para que ele vá para um hospital.

Pela lei, como o laudo informa que Cadu não responde totalmente por seus atos, ele não iria para um presídio comum para cumprir pena restritiva de liberdade numa eventual condenação. Em termos técnicos, ele sofreria uma “absolvição imprópria” na Justiça porque tem problemas psiquiátricos. Nesse caso, ele poderia ir para um hospital psiquiátrico em cumprimento à medida de segurança e internação. Por lei, o tempo máximo de permanência em um manicômio judiciário é de três anos, mas existe a possibilidade de prorrogação desse período. Se Cadu fosse condenado criminalmente, ele poderia pegar até 60 anos de prisão.

Cadu foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por duplo homicídio e pela Procuradoria paranaense por resistência à prisão e tentativa de homicídio.

O crime
Em depoimento à polícia, Cadu confessou o crime. Laudo toxicológico feito no acusado deu positivo para maconha. "Ele entrou em surto psicótico", chegou a dizer o pai de Cadu, Carlos Grecchi Nunes, em entrevista após o crime. Ele afirmou que o filho havia desenvolvido esquizofrenia, que piorou após ele frequentar os cultos de Santo Daime, na chácara de Glauco em Osasco. O cartunista era o líder espiritual da igreja Céu de Maria.

Em depoimento ao delegado que cuida do caso, na sede da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, no Paraná, Cadu confessou o crime e afirmou que acabou "com a própria vida" ao cometer os assassinatos. Ele contou que comprou a arma usada no crime e munição na periferia de São Paulo. O plano inicial era sequestrar o cartunista Glauco e levá-lo até sua mãe.

Ainda de acordo com o delegado, o suspeito disse que, para ele, Glauco era um representante de São Pedro. O cartunista também deveria dizer para a mãe do rapaz que seu filho era Jesus Cristo.

O rapaz também inocentou o amigo Felipe Iasi, de 23 anos, responsável por levá-lo até a chácara e acusado de ter auxiliado Cadu na fuga. Iasi chegou a dizer que foi obrigado a dirigir. “Eu estava sob a mira de uma arma. Não sabia onde eu estava, o que estava acontecendo, o que ele queria ali.”

as mensagens vazadas pelo WikiLeaks que citam o Brasil

Veja as mensagens vazadas pelo WikiLeaks que citam o Brasil
Site vem divulgando um conjunto de 251 mil documentos sigilosos dos EUA.
Leia o que os textos divulgados até agora falam sobre o Brasil.

Do G1, em São Paulo
imprimir
--

O site Wikileaks deu início no domingo (28) à divulgação de um conjunto de 251.287 relatórios sigilosos da diplomacia americana num período entre 1966 e 2010. Os documentos, publicados em cablegate.wikileaks.org, registram a comunicação entre embaixadas americanas em diversos países, incluindo o Brasil.

Veja, a seguir, uma lista das revelações feitas pelo site até agora que citam o Brasil.

03/12
Prisioneiros de Guantánamo
O governo do Brasil rejeitou um pedido do governo norte-americano para receber prisioneiros mantidos no campo de detenção de Guantánamo em 2005. Na época, Washington procurou vários países para tentar reassentar os presos por suspeita de crimes relacionados com o terrorismo. A informação foi confirmada pelo ministro Celso Amorim. Leia mais.

02/12
Exploração de urânio
Um relatório secreto adverte sobre descobrimento de munição com urânio empobrecido em um armazém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e da existência, no norte do Brasil, perto da fronteira com a Colômbia, de explorações ilegais de diversos minerais, entre eles o urânio, em poder de grupos como as Farc. Leia mais.

1º/12
Apagão
Documentos revelados pelo site descartam a hipótese de um ataque de hackers terem provocado o apagão elétrico em novembro do ano passado que atingiu 18 estados brasileiros. Segundo informações dadas pela ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e o Ministérios das Minas e Energia dadas à embaixada americana, o sistema tem uma rede separada e é protegido de tal forma que uma invasão seria facilmente rastreável. Leia mais.

Copa e Olimpíadas
Os Estados Unidos estão preocupados com a segurança da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Brasil e veem oportunidades para empresas americanas no país. Leia mais.

Política de defesa
Documentos mostram críticas por parte do ex-embaixador americano no Brasil ao Plano Nacional de Defesa anunciado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva em dezembro de 2008. Leia mais.

Carla Bruni e relações diplomáticas
Uma mensagem do embaixador dos Estados Unidos em Paris indica que ele acreditava que o presidente francês Nicolas Sarkozy usava o status de celebridade de sua esposa Carla Bruni para impulsionar as relações diplomáticas entre França e Brasil. Leia mais.

30/11
'Inclinações antiamericanas'
Documentos mostram que o governo americano considera o Itamaraty como um adversário, com inclinações antiamericanas. Leia mais.

Tumor no nariz
Relatório que a embaixada dos EUA em Brasília cita que o presidente Lula teria oferecido tratamento no Brasil ao colega boliviano, Evo Morales, para tratar de um tumor no nariz. O governo da Bolívia negou que o presidente tem ou tivesse a doença. Leia mais.

29/11
Irã e Brasil
Documentos mostram que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, citou o Brasil como comparação ao seu país para defender o programa nuclear que vem desenvolvendo. O exemplo foi dado pelo iraniano durante discussão com o líder russo Vladimir Putin, e aparece entre os documentos que serviam para a comunicação de Relações Exteriores dos Estados Unidos. Leia mais.

Terroristas presos
Documentos afirmam que a Polícia Federal brasileira prendeu muitas vezes pessoas que tinham ligações com o terrorismo, mas os acusou de crimes que não eram relacionados ao tema para evitar "estigmatizar a comunidade muçulmana do Brasil” ou prejudicar a imagem do território como um destino turístico. Leia mais.

'Elementos radicais genuínos'
Embora a comunidade muçulmana no Brasil seja formada majoritariamente por integrantes moderados, o país abriga "elementos radicais genuínos", alguns na região de Foz do Iguaçu (PR) e outros em São Paulo. Leia mais.

Leituras sabáticas: Lygia Fagundes Telles



TV Estadão | 3.12.2010
A escritora paulistana Lygia Fagundes Telles estréia a série "Leituras Sabáticas" lendo seu conto "O Moço do Saxofone", de 1966

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Para a presidenta Dilma, com carinho: Fale com ela: a destruição da delicadeza


Em 2003, o sucesso no cinema foi o filme Fale com ela, de Pedro Almodóvar, uma denúncia contra o machismo. Com suas ricas metáforas visuais, polêmicas e inovadoras, Almodóvar levou-me a programar com Silvio, meu irmão mais velho, mestre em filosofia, discussões que chamávamos de Arengas Matinais, no então apartamento de minha mãe. Uma forma também criativa de visitá-la, empaturrar-nos de seus biscoitos de polvilho ao jeito de Salinas, e ao mesmo tempo clarearmos o impacto que nos causou o filme, revisto várias vezes.


O resultado foi um artigo crítico em duas partes, publicado pelo falecido Jornal de Casa. Passadas as eleições, a atenção concentra-se nas primeira mulher a dirigir a nação brasileira. Como candidata, acompanhei os seus críticos. Mas, como democrata que desconfia de paradigmas imutáveis, principalmente dos proprios, não há porque não reconhecer os méritos e a biografia corajosa de nossa presidenta, e desejar-lhe mais acertos do que erros. E, como denuncia Almodóvar, o maior erro será confundir-se com os homens que a interfaciam. Como está no texto abaixo, o machismo e o seu atraso penetram até mesmo nas mulheres...

Vejam no link abaixo a análise de Isabela Boscov, da Veja:

http://www.youtube.com/watch?v=czPgf_5DE48




Fale com ela :
o machismo é uma tourada torta

"A moça e a mulher, em sua nova e peculiar evolução, apenas transitóriamente imitarão os hábitos e os vícios masculinos, só transitóriamente repetirão as profissões masculinas."

(Rainer Maria Rilke – Cartas a um jovem poeta)


De repente, uma unanimidade: o último filme de Almodóvar agrada a todos, é premiado em festivais com os adjetivos mais díspares, o Oscar está no papo, ele é um belíssimo e trágico filme que conta a história da impossível comunicação entre os seres, principalmente entre a toureira e os touros. Quer dizer, gostei muito, adorei, adorei muito mesmo, mas o fim é assim meio incompreensível. Mas filme de arte é desse jeito, a gente não tem que entender tudo, é só sentir. Depois dele vou ver umas duas comédias bem leves. Como diz o Ancelmo Góis : é, pode ser.

Mas não é. É um filme pensado e elaborado por um grande artista, que se supera a cada filme, ou melhor, a cada reflexão. Desde o princípio, já na primeira cena, embalado pela belíssima voz de Elis Regina, e depois, por Caetano Veloso (quase uma soprano), o filme nos aponta a que veio: esconjurar líricamente o machismo que sobrevive, agora entranhado nas mulheres. O machismo dos homens já foi suficientemente exposto e rididularizado o suficiente, para que só faça a sua aparição de forma velada em supostos e agonizantes nichos folclóricos, entre outros os nossos Machões Mineiros. Mas o filme O Porteiro nos demonstrou que o pior da tortura é o compromisso que se estabelece entre o torturador e sua vítima. Assim também aconteceu com o machismo. Como um Alien soturno, ele penetra os mais lindos corpos e faces femininos.

Pelos nomes, Pedro Almodóvar didaticamente nos dirige para o assunto central. Lídia significa luta, touro de luta. Seu ex-amante ( o toureiro que Lídia quer superar) é El Niño, o menino. Marcos é argentino e o seu nome é o mesmo do líder de Chiapas. Marcos é um agente de mudança, um Che. Benigno, é o que faz o bem. Alicia, bailarina, símbolo da Arte, uma homenagem a Alicia Alonso, primeira dama do balé cubano, país por quem o diretor nutre pertinaz admiração ( ele sempre doa a Cuba o que sobra da filmagem).O pequeno filme mudo, uma metáfora quase que explícita, que termina com o amante reduzido a uma ínfima dimensão, desaparecendo dentro da enorme vagina, chama-se O Amante minguante. No balé inicial de Pina Baush, o homem indica a porta, a saída. Mas não existe a porta, e sim a parede. Não há saída no machismo.

O machismo é sinônimo do Poder, da vontade do Poder, o filho dileto do mundo capitalista. Vivemos o auge do capitalismo, da vontade do Poder.É preciso dominar a vida, pois assim eu domino a morte, essa demanda terrível em que fui jogado desde que nasci.E a forma que nós lidamos com esse desamparo é o esforço para o domínio da realidade do dia a dia, da violência que se explicita a cada esquina, seja pelo Bush e sua guerra voraz, seja o Beira Mar, o FMI, o Big Brother. A morte é desvelada a cada momento. Dominá-la é preciso e o Poder faz isso. O machismo é uma defesa contra este meu desamparo. Nem que sejam quinze minutos de Poder.

Espanhol e artista, Almodóvar utiliza a tourada como exemplo. Na sua fragilidade, o toureiro traz a esperança de dominar o touro, a pulsão da morte, na cerimônia da capa curta. Lídia é a luta para recuperar o amante perdido, El Niño.Ela perdeu o Poder. Ela tudo faz, inclusive enfrentar seis touros negros acima de 500 quilos ao mesmo tempo para te –lo de volta. É o mais poderoso dos seres, no desvario da razão, mas não deixa de ser mulher. Ela tem medo da cobra na cozinha, um medo que faz questão de sepultar. Ao negar o seu desamparo, Lídia se expõe à violência que pretendia evitar. Torna-se um ser vegetativo, à margem do Poder, na completa alienação , em estado de coma. Benigno, o que bem faz, quer compactuar com o machismo através da palavra e da linguagem . Alicia também está agora em estado de coma, e Benigno fala com ela todo o tempo, e incita Marcos a fazer o mesmo com Lídia Fale com ela. Nosso casamento é melhor do que muitos outros.Mas só ele fala, pois a vontade do poder , a negação do desamparo, impedem a visão e a escuta do outro. E a propósito, ele cita o pequeno filme mudo O amante minguante, onde o simbolismo é direto e rápido. A cientista submete o amante a uma poção experimental, e ele se vê reduzido às dimensões de um feto. No leito noturno, exasperado de desejo (do Poder) , passeia pelos seios, grandes colinas inalcançáveis, e termina penetrando completamente na vagina, e por lá desaparece. Uma das faces do machismo é também o sexo levado ás últimas fronteiras, é o desvario do homem tornar-se feto novamente. A vagina é a porta do útero, o lugar do máximo desamparo, e não mais a entrada da libertação, o amor, soterrado pela vontade do Poder. O amante minguante tentar encontrar de novo a sua mãe no útero, ela sim, conforto cálido que o protegia da morte, na sua infância perdida para sempre.Pois no sexismo a comunicação é sempre pelo corpo, não há linguagem que o conforte e explique o seu desamparo, e o confronte. A saída para a pulsão da morte é o viver, o risco, a negação do machismo. A linguagem para explicitarmos o desamparo é também a arte. É preciso que Benigno morra para que Alicia , a representante da arte, viva. É preciso que Lídia morra, para que Marcos, o representante do risco, da aventura, o argentino Che, viva. E, na última cena, entre os espectadores de um espetáculo, os olhares de Alicia e Marcos se encontram e anunciam o princípio da libertação. Homem e mulher se olhando como dois seres que irão finalmente deixar de lado o machismo , e se encontrarão no começo do fim do desamparo de cada um. Talvez na vocação da arte e no amor.

Women who seek to be equal with men, lack ambition."
(As mulheres que procuram ser iguais aos homens, falta-lhes ambição - Tim Leary )

Almodóvar quase não nos dá tempo, diz logo a que veio, e chama-nos para conhecer Lídia e sua perda. .Apenas nas vozes de Elis Regina e Caetano teremos algum alívio, a música nos enternece e lembra-nos que a delicadeza pode estar próxima. Mas como, se Lídia, que significa luta, perdeu El Niño ( o menino), o toureiro , com quem exercia e disputava o Poder? Nada de delicadezas. Vamos ver durante duas horas a Mulher, Lídia, e o Homem, Benigno, transbordantes de machismo. O machismo é a vontade do Poder, a necessidade de dominar a realidade, a vida e a morte Ela vai travar a sua luta para recuperá-lo justamente no campo por excelência onde os homens lutam, a arena de touros. Mas a tourada não é tão machista como parece, pois ao vestirem-se, Almodóvar mostra-nos como os toureiros são femininos. Nem os homens são tão machos nem as mulheres tão femininas.O machismo se dissemina pelos sexos a fora. É a resposta para o terrível desamparo em que vivemos, a negação da morte , mas sem compromisso com a vida.

Nunca houve tantas mortes e tanta negação da morte. Os americanos inventaram o congelamento das pessoas mortas. Até Timothy Leary, o grande hippie, ao morrer fez congelar a sua cabeça, numa explícita e obscena negação da morte. Morre-se nas UTI´s, nos hospitais, nas estradas, nas prisões, raramente em casa, da antiga morte morrida. O que se esconde na verdade é o processo doloroso da agonia. Vivemos a época da eliminação da agonia. Quanto mais nos sentimos desamparados pela destruição da família, da solidariedade, da amizade, mais vontade de Poder, vontade de domínio. A solidariedade e a delicadeza foram destruídas pela competição desvairada, agora colocada como supremo valor. Quem não compete é fraco. Vejam os políticos e sua linguagem, como usam com maestria o domínio do Poder. Na política, só os homens falam, e as vozes das mulheres corajosas são abafadas e reduzidas pelo desprezo e pelo ridículo.

Lídia se prepara para a tourada num passe que é o limite da audácia. Ela enfrenta seis touros de 500 quilos cada um em uma única tourada, quando todo espanhol sabe que um toureiro enfrenta normalmente apenas dois touros por corrida. Ela quer suplantar os homens. Insufladas pelo capitalismo selvagem, as mulheres do século XXI sentem-se no dever de ultrapassá-los, e nessa competição propagam junto aos maridos, filhos, namorados, àqueles que interagem, a negação da morte, da velhice, da dor que coexiste em nosso viver, a felicidade pelo domínio do Poder. O resultado é uma maratona em busca do corpo mais que perfeito, isolado do Tempo, da juventude ainda que botoxizada, siliconizada, e evidentemente, quando tudo falha, lipoaspirada. Lipo-aspirações, lipo-desesperações. Do máximo de consumo, eu mesma, ao máximo do prazer, e tornar-me imortal

O apelo ao corpo é uma pobreza de linguagem e de leitura interior, não apenas a negação de um processo, mas a negação do ser. O corpo é o Poder, glorificado pela mídia.Não há lugar para o imperfeito, para o diferente, e o menos. Tudo leva ao mais, ao superlativo. A droga é a resposta fulminante para o máximo de consumismo e de prazer, onde se encontra o não-tempo e a não-morte. E a solidão mais completa, pódio aonde se chega depois de muito Poder.

Com a capa curta, ao enfrentar de joelhos o touro negro, Lídia perde essa luta impossível. Almodóvar mostra-nos então a linguagem do machismo através de Benigno, o arauto do bem fazer, e seu discurso unilateral. A linguagem do machismo usa a palavra neste caso como instrumento de dominação. Alicia, em coma, é a interlocutora ideal .. Benigno fala com ela todo o tempo, e tenta convencer Marcos a fazer o mesmo com Lídia. No pequeno filme mudo que conta , O amante minguante, está explícita a metáfora sexual: perder-se para sempre na vagina, no útero, onde estamos protegidos do nosso desamparo.

Marcos e Alicia, os sobreviventes, nos mostrarão que o corpo, a palavra e a solidariedade também podem nos conduzir ao habitat da delicadeza e da arte. Onde não seremos nem dominadores nem dominados, mas mulheres e homens, entrelaçados de esperança, na audácia maior de viver.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Uma mensagem de retorno, com carinho...

Nos últimos dez anos, desenhei em incontáveis eventos. Quantas caricaturas foram, quantas permaneceram, impossível vislumbrar. Sexta-feira passada, 14 de agosto de 2009, fui contratado por S. (o sigilo é explicável) para uma festa surpresa de aniversário do marido. No salão de festas do edifício onde moram, desenhei durante quase cinco horas. Fiz novos amigos e, espero, novos adeptos e futuros convites.No outro dia, recebí de S. uma mensagem que, além de emocionar-me, incentiva-me a prosseguir nessa trilha sinuosa posta pelo destino e minha paixão pelo desenho.Registro-a aqui porque desejo-a indelével, para que dela eu possa sempre lembrar, assim como a minha resposta:
Querido Guz,

Estou lhe escrevendo para agradecer de coração o tamanho do seu carinho ontem com nosso evento e nossos convidados.

Hoje, participamos de um chuurrasco do Hospital onde trabalhamos e estivemos com alguns dos convidados de ontem. Todos comentaram a idéia e o seu trabalho com muito entusiasmo, achando genial. Quem fez, adorou a lembrança. E quem não fez, ficou com um pesar muito grande.

Muito Obrigada! A lembrança que vc nos ajudou a proporcionar aos nossos amigos ficará para sempre em nossos corações.

Que Deus abençõe vc!
E, que vc tenha muitas oportunidades para colorir a vida de muita gente.

Parabéns!
Beijo Grande,

S.
Amiga:
Desculpem-me se somente agora (nos fins de semana substituo a cuidadora de minha mãe, na deficiência dos seus noventa anos) retorno-lhes quão alegre fiquei ao receber demonstração de carinho tão espontânea. Depois de tantos trabalhos feitos, nunca recebí mensagem tão bonita.Sempre digo que o melhor dessa minha arte singular são os amigos que dela resultam, nossa maior riqueza. Conhecer vocês e seus amigos deixaram-me enriquecido, de fazer inveja aos biugueites do mundo. Espero sempre revê-los. E que sempre desfrutem de tempos felizes ...
Um grande e amigo abraço
do
Guz

domingo, 24 de maio de 2009

Quelqu'un m'a dit - Carla Bruni


Quelqu'un M'a Dit (tradução)
Carla Bruni

Composição: Carla Bruni
Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que desliza é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz suas cobertas

No entanto alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Foi alguém que me disse
que você ainda me ama
Seria isto possível então?

Disseram-me que o destino debocha de nós
Que não nos dá nada e nos promete tudo
Faz parecer que a felicidade está ao alcance das mãos,
Então a gente estende a mão e se descobre louco
No entanto alguém me disse...

Mas quem me disse que você sempre me amou?
Eu não recordo mais, já era tarde da noite,
Eu ainda ouço a voz, mas eu não vejo mais seus traços
'ele ama você, isso é segredo,
não diga a ele que eu disse a você'

Sabe, alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Disseram-me isso realmente...
Que você ainda me ama,
Seria isto possível então?

Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que se vai é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz a sua coberta

No entanto alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Foi alguém que me disse
Que você ainda me ama
Seria isto possível então?


Quelqu'un M'a Dit
Carla Bruni

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
que de nos chagrins il s'en fait des manteaux

pourtant quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
c'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore,
serait-ce possible alors?

On me dit que le destin se moque bien de nous
qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout,
paraît qu'le bonheur est à portée de main
alors on tend la main et on se retrouve fou

pourtant quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
c'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore,
serait-ce possible alors?
serait-ce possible alors?

Mais qui est-ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais
je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
j'entends encore la voix mais je ne vois plus les traits
«il vous aime c'est secret lui dites pas qu'jvous l'ai dit»

Tu vois quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
me l'a t-on vraiment dit que tu m'aimais encore,
Serait-ce possible alors ?

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
que de nos tristesses il s'en fait des manteaux

pourtant quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
c'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore,
serait-ce possible alors.

Quelqu'un M'a Dit (tradução)
Carla Bruni

Composição: Carla Bruni
Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que desliza é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz suas cobertas

No entanto alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Foi alguém que me disse
que você ainda me ama
Seria isto possível então?

Disseram-me que o destino debocha de nós
Que não nos dá nada e nos promete tudo
Faz parecer que a felicidade está ao alcance das mãos,
Então a gente estende a mão e se descobre louco
No entanto alguém me disse...

Mas quem me disse que você sempre me amou?
Eu não recordo mais, já era tarde da noite,
Eu ainda ouço a voz, mas eu não vejo mais seus traços
'ele ama você, isso é segredo,
não diga a ele que eu disse a você'

Sabe, alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Disseram-me isso realmente...
Que você ainda me ama,
Seria isto possível então?

Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que se vai é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz a sua coberta

No entanto alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Foi alguém que me disse
Que você ainda me ama
Seria isto possível então?

Madame Sarkozy Carla Bruni-L´Amoureuse-October -2008


Carla Bruni: L'amoureuse
Il semble que quelqu'un ait convoqué l'espoir
Les rues sont des jardins, je danse sur les trottoirs
Il semble que mes bras soient devenus des ailes
Qu'à chaque instant qu'ils volent je puisse toucher le ciel
Qu'à chaque instant qui passe je puisse manger le ciel

Les clochets sont penchés, les arbres déraisonnent
Ils croulent sous les fleurs au pleuron de l'automne
La neige ne fond plus et puis chante tout doucement
Et même les réverbères ont un air impatient
Et même les cailloux se donnent l'air important

Car je suis l'amoureuse
Oui je suis l'amoureuse
Et je tiens dans mes mains
La seule de toutes les choses
Je suis l'amoureuse
Je suis ton amoureuse
Et je chante pour toi
La seule de toutes les choses
Qui vaille d'être là
Qui vaille d'être là

Le temps s'est arrété, les instants relachent
La minute te frissonne et l'ennuie fait naufrage
Tous pas est inconnu, tout croque sous la dent
Et le bruit du chagrin s'éloigne lentement
Et le bruit du passé se tait tout simplement

Les murs changent de pierres, le ciel change de nuages
La vie change de manière et danse les nuages
Dans la vie m'a-t-on dit le destin s'est montrer
(Il a fait mine de rien il a tout emporté)
Il avait ton allure, ta façon de parler.

Car je suis l'amoureuse
Oui je suis l'amoureuse
Et je tiens dans mes mains
La seule de toutes les choses
Je suis l'amoureuse
Je suis ton amoureuse
Et je chante pour toi
La seule de toutes les choses
Qui vaille d'être là
Qui vaille d'être là

Je suis l'amoureuse
Je suis ton amoureuse
Et je chante pour toi
La seule de toutes les choses
Qui vaille d'être là
Qui vaille d'être là

Apaixonada

Parece que alguém convocou a esperança
As ruas são jardins, eu danço nas calçadas
Parece que meus braços se transformaram em asas
Que a cada instante que voa eu possa tocar o céu
Que a cada instante que passa eu possa comer o céu

Os sinos estão pendurados, as arvores perdem a razão
Elas caem sob as flores no mais ruivo do outono
A neve não derrete mais, a chuva canta suavemente
E mesmo os postes parecem estar impacientes
E mesmo as pedras se acham importantes

Porque eu estou apaixonada, sim eu estou apaixonada
E eu tenho nas mãos a coisa mais importante do mundo
Eu sou amada, eu sou a tua amada
E eu canto pra você a única coisa do mundo
Que faz existir valer à pena
Que faz existir valer à pena

O temp parou, as horas são voláteis
Os minutos se agitam e o tédio faz naufragar
Tudo parece incerto, tudo trinca sob o dente
E o barulho da tristeza lentamente se afasta
E o barulho do passado simplesmente se cala

Oh, os muros mudam de tijolos,
O céu muda de nuvens,
A vida muda de maneiras e as miragens dançam
Me disseram que viram o destino se mostrar
Sem demonstrar, parecia que ele devastaria tudo
Ele tinha a tua aparência, a tua maneira de falar

Porque eu estou apaixonada, sim eu estou apaixonada
E eu tenho nas mãos a coisa mais importante do mundo
Eu sou amada, eu sou a tua amada
E eu canto pra você a única coisa do mundo
Que faz existir valer à pena
Que faz existir valer à pena

Adágio, de Albinoni: a mais bela das músicas, que ele não escreveu!


Albinoni é internacionalmente conhecido como o compositor do Adágio em sol maior, obra que ele não escreveu. Desde a década de sessenta, essa música, considerada uma jóia do período barroco, passou a constar com freqüência nos catálogos das principais gravadoras. O emprego do Adágio de Albinoni na trilha sonora de alguns filmes de sucesso fez com que multidões se apaixonassem pela langorosa melodia.

Tomaso Albinoni (1671-1750), viveu em Veneza e era filho de um abastado fabricante de papéis. Apesar de sua paixão pela música, ele dividia o seu tempo administrando os negócios da família e nunca se considerou um músico profissional. Albinoni consagrou-se como um grande compositor de óperas e de concertos, tendo dirigido em Munique, a ópera I veri amici (Os verdadeiros amigos), encomendada pela corte da Baviera.

Ele foi o primeiro italiano a publicar concertos e foram inúmeras as suas contribuições a esse novo estilo de composição. Albinoni foi um grande inovador, colocando o oboé em um papel de destaque junto aos demais instrumentos da orquestra. Os Concertos para oboé do Opus nove de Albinoni são verdadeiras obras primas do barroco. Esse instrumento tem um destaque especial nos movimentos lentos. O oboé estabelece um harmônico diálogo com os primeiros violinos e, logo a seguir, todo o conjunto de cordas acompanha a lírica melodia executada pelo solista.

Até os dias de hoje, a música de Albinoni é praticamente desconhecida do grande público. Suas 57 óperas foram perdidas, existindo apenas alguns fragmentos. Seus concertos do Opus 10, publicados em 1735, foram descobertos apenas em 1968, por Michael Talbot.

Após o término da II guerra mundial, um musicólogo de Milão, chamado Remo Giazzoto, trabalhava numa biografia de Albinoni. Ao pesquisar antigos manuscritos, na biblioteca de Dresden, ele descobriu uma única linha de música para contrabaixo e alguns acordes para violino. Baseado nesses compassos, que seriam de uma sonata sacra de Tomaso Albinoni, o musicólogo desenvolveu uma peça para órgão e cordas, daí resultando uma música solene, mas de grande simplicidade e carregada de muita emoção. O Adágio em Sol, atribuído a Albinoni, mas composto por Giazotto, transformou-se junto com As quatro Estações de Vivaldi (esta sim uma produção genuína), numa das obras eruditas mais apreciadas pelo público.

Se o leitor procurar um disco com os grandes sucessos do barroco, certamente irá encontrar o Adágio de Albinoni. Outra composição que sempre faz par com esta obra é o Canon e Giga de Johann Pachelbel, uma das melhores e mais conhecidas criações deste mestre do barroco alemão.

sábado, 9 de maio de 2009

Chopin Piano Sonata No.2 Op.35 - Marche Funèbre, Igoshina

Chopin - Valentina Igoshina - Polonaise in A Flat 'Heroique'

Chopin - Valentina Igoshina - Grande Valse Brilliante

Chopin - Valentina Igoshina - Nocturne in C Minor

Chopin - Valentina Igoshina - Fantasie Impromptu



Nós todos já vimos Chopin ser interpretado com muito brilho. Mas eu
não me recordo de tê-lo visto assim com tanta graça, encanto, e
penteado.Nascida em 1978, em, Bryansk, Rússia, Valentina Igoshina,
conforme o crítico Alain Clochard, da revista Pianiste, interpreta com
muito charme, simplicidade, humor, combinando refinamento e vigor.