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quarta-feira, 18 de março de 2009

Cara a cara com a ditadura: setembro de 1966, Praça Afonso Arinos, Belo Horizonte


Lembrando Péricles, o grande grego: o segredo da felicidade é a liberdade. O segredo da liberdade é a coragem!
Nunca tive maiores ambições políticas, mas todas as minhas intervenções no processo das transformações sociais foram motivadas pela indignação ao ver a cidadania ultrajada.Assim aconteceu na luta contra a ditadura, no fechamento da choperia ilegal do Clube do Frade, em 1968 , quando criminosos que se passavam por policiais militares tentaram sequestrar-me e , ante a minha resistência, descarregaram todo o arsenal de uma automática 7.65, sendo dez tiros somente no meu carro. Depois de muito esforço consegui a expulsão de dois deles da corporação que tanto orgulho traz aos mineiros. E em 2004, apoiei as duas denunciantes do grupo pedófilo de Pompeu, que incluia o então prefeito, o presidente da Câmara e vários empresários. Da denúncia resultaram duas audiências publicas, uma a nivel federal, naquela cidade. Beth Campos e Regina Maciel, duas mulheres corajosas, foram as primeiras brasileiras a denunciarem publicamente através da TV o crime que se faz contra as nossas crianças, até então acobertada por uma população conivente e pusilânime na defesa da integridade de suas filhas e filhos. Nas fotos acima, presidente interino da combativa União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais, já tinha no portfólio uma acidentada participação no XXVIII Congresso da UNE, no mês de julho anterior, no convento dos franciscanos. Nessa passeata fui preso, e experimentei o corredor polonês do Dops, o centro da repressão policial, coordenado pelos serviços secretos dos militares.Com o agravante que o Delegado-torturador fora gravemente ferido na cabeça e tivera a perna quebrada, pela qual me responsabilizou.Ele já faleceu, e é porisso que digo que sou um ateu diferente. Não acredito no paraíso, mas torço pelo inferno.Somente o ato de morrer, tão natural, não pode ser somente a punição resultante de uma mente do mal, como foram esses torturadores. Fiquei preso um dia sem alimentar-me,e só fui solto graças à resistência solidária dos outros estudantes que se barricaram na Escola de Direito, situada na própria praça. O negociador foi Dom Serafim, então arcebispo e hoje cardeal. Ele prometeu entregar-´me a meu pai e assim o fez. Nem é preciso descrever o espanto do fervoroso católico Zeca Sarmento ao ser acordado por nada mais, nada menos, pélo arcebispo de sua igreja!Em dezembro de 2005, quase 40 anos depois, eu seria beneficiado com a indenização chamada de Bolsa-Tortura, instituida pelo então governador do Estado, Itamar Franco.O qual , como sabemos, pela coragem ao fazê-lo pela primeira vez no nível estadual mostrou a que veio. Itamar sempre foi mesmo um danado de um topetudo, né, não?

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