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segunda-feira, 9 de março de 2009

Federico Garcia Lorca : a biografia completa



( do filme Morte em Granada, onde Lorca é representado pelo ator Andy Garcia)
Quem foi Federico Garcia Lorca?

Um dos maiores poetas da língua espanhola, Lorca foi assassinado pelas forças franquistas logo após o golpe de 36

por Mário M. Gonzáles*

No momento em que o mundo todo comemora o 100o aniversário do nascimento de Federico García Lorca, é inevitável considerar que ele constitui o caso evidente de uma figura histórica cujo significado político cresceu não apenas ao longo de sua vida, porém muito mais após a sua trágica morte decorrente do posicionamento do poeta como cidadão. Esse posicionamento evidencia-se ao longo de um percurso existencial que começa no ambiente liberal da família, instalada num pequeno povoado da Andaluzia, até culminar em Madri, no apoio à Segunda República, nos dias agitados que se seguem ao triunfo da Frente Popular, em 1936. Ironicamente, deixar Madri para visitar a família na pacata Granada precipitaria a tragédia, ao criar a oportunidade de que Federico ficasse ao alcance das forças reacionárias.

García Lorca nascera dia 5 de junho de 1898 em Fuente Vaqueros1, um povoado próximo da cidade de Granada, a antiga capital do último reino muçulmano da península, ocupado pelos Reis Católicos em 1492. Federico é filho de uma família burguesa. No momento do nascimento do poeta, seu pai, Federico García Rodríguez, arrendatário de terras na região do Soto de Roma, latifúndio cultivado em sistema de enfiteuse, onde se localiza Fuente Vaqueros, estava sendo beneficiado diretamente pela derrota da Espanha na guerra com os Estados Unidos, que despojaria a nação de suas últimas colônias americanas. Ao perder Cuba, a Espanha precisou encontrar onde cultivar açúcar e tabaco: as terras do Soto de Roma revelaram-se ideais para isso. Bom administrador, Federico García Rodríguez já era rico, além de viúvo sem filhos, ao casar-se, aos 37 anos, com Vicenta Lorca Romero, de 26 anos, em 1897. Pela família do pai, o nosso poeta, primeiro de cinco filhos, herdaria uma tradição de liberalismo e entusiasmo pela música e pelos livros, além do provável sangue cigano de uma tataravó; da mãe, professora primária e católica sincera, além da possibilidade de sangue judaico, herdaria sua fina sensibilidade e gosto pela música. O primeiro mestre de Federico foi Antonio Rodríguez Espinosa, professor primário formado no pensamento progressista da Institución Libre de Enseñanza2.

Em 1908, Federico é enviado a cursar estudos secundários em Almería, mas uma doença o devolve, em 1909, à casa paterna, então já instalada na cidade de Granada, onde Federico, sem nunca ser um estudante notável, levou adiante seus estudos num colégio particular. O que interessava a Federico, nesses anos, era a música. Seu mestre foi Antonio Segura Mesa, até a morte deste, em 1916, quando Federico optará pela criação literária. Em 1915, o poeta termina seus estudos secundários e se matricula na Universidade de Granada para cursar Direito e Filosofia e Letras3. Nunca seria um aluno brilhante; mas o contato com o professor de Teoria da Literatura e das Artes, Martín Domínguez Berrueta, facilitaria o desenvolvimento do seu interesse pela literatura, embora nunca abandonasse a música. Viagens de estudos organizadas pelo mestre, no verão e no outono de 1916 e em 1917, levarão Federico a percorrer boa parte da Espanha e a recolher o que seria seu primeiro livro em prosa, publicado em 1918: Impresiones y paisajes4. Além disso, nessas viagens conheceria o poeta sevilhano Antonio Machado, o mais famoso poeta espanhol desses anos, à época professor em Baeza, e que morreria no exílio, no fim da Guerra Civil. Do ano de 1917 datam as primeiras poesias de Lorca, os primeiros textos teatrais e primeiras prosas que permaneceriam inéditas até os anos 905. Essa juvenilia de Lorca estende-se até 1920 e aparece decididamente marcada pela influência do modernismo hispânico, já em retração, cujo líder tinha sido o nicaragüense Rubén Darío, falecido em 1916. Mas essa obra carrega, além de erotismo, uma identificação com Cristo que é simultânea a uma rejeição pela Igreja enquanto instituição.

Em 1919, García Lorca instala-se em Madri. Vai morar, até 1928, na Residencia de Estudiantes, produto da Institución Libre de Enseñanza, instituição essa que pretendia suprir as carências e limitações do ensino universitário mediante o contato dos estudantes com pesquisadores e intelectuais e a ênfase na consciência comunitária. Nela, Lorca faria amizades que marcariam fortemente sua existência, como com Salvador Dalí e Luis Buñuel. Em Madri, em 1920, Lorca levaria pela primeira vez uma peça sua ao palco: El maleficio de la mariposa, uma alegoria com insetos como personagens, cujo rotundo fracasso limita as representações à estréia. Esta fora possível graças ao dinheiro do pai que sustentaria Federico durante estes anos entre Madri e Granada, no intuito de que ele levasse adiante seus estudos regulares. O pai financiaria a primeira manifestação impressa da poesia de Lorca: Libro de poemas, publicado em 1921. O livro foi bem recebido pela crítica, apesar de seus toques de romantismo que, no entanto, não impedem adivinhar o poeta de vanguarda que subjaz a eles. Em alguma medida, é possível perceber também no livro a incorporação de imagens e recursos da poesia popular que serão decisivos no seguinte, o Poema del cante jondo, livro cujas poesias Federico começa a compor nesse mesmo ano, embora só venha a ser publicado em 1931. A obra é produto da enorme capacidade do poeta de assimilar os valores estéticos e a temática das canções populares andaluzas para transferi-los a poesias cuja brevidade abre caminho à sugestão daquilo que se silencia. Em boa parte, essa aproximação de Lorca à expressão máxima da música popular de sua terra está vinculada à sua amizade com Manuel de Falla, que se estabelecera em Granada em 1920 e cuja música igualmente se alimenta na cultura popular.

Dos mesmos anos (entre 1920 e 1923) datam os poemas de um livro que só veria a luz em 1983: Suites. Trata-se de uma série de poemas, estruturada com o sentido musical do título, em que os significados se adensam, à maneira do livro anterior, ao mesmo tempo que cresce um sentido de frustração próprio do universo trágico. Igualmente, data desses anos a redação de dois outros livros de poesias de Lorca. O primeiro deles, Canciones, apareceria em 1927. Também apoiado na canção popular e em sua condensação expressiva, cada uma de suas poesias omite sabiamente uma história para abrir espaço à ambigüidade poética. Pelo mesmo caminho viria o livro seguinte, aquele que faria a fama definitiva do poeta: Romancero gitano, impresso em 1928. Lorca acerta em cheio ao recuperar a fórmula popular do romance medieval castelhano, mediante o caráter fragmentário do texto poético que os românticos haviam perdido de vista na sua retomada do gênero. Focaliza em seus poemas um universo que girava em sua volta: os ciganos excluídos pela civilização burguesa. Lorca pagaria caro pelo seu acerto e pelo sucesso do livro, que teria sete edições em vida do poeta. Primeiro, pela inadequada identificação, por muitos leitores, do autor com um cigano; depois, pela redução do conjunto a um ou dois poemas e ao erotismo de um deles; mais tarde, pelo caráter "subversivo" da denúncia da Guardia Civil como agente imediato da repressão preconceituosa; por último, a pecha de ciganismo teria eco em alguns dos seus amigos que, como Buñuel ou Dalí6, caçoariam dessa poesia que julgavam inferior por distante do surrealismo francês que, para muitos, nesse momento aparecia como a culminação do vanguardismo. O fato pode estar na raiz da profunda crise que se abate sobre Lorca e que o levará a distanciar-se, partindo em viagem para os Estados Unidos. Antes do distanciamento, Lorca escrevera um poema longo, de enorme importância: a "Oda a Salvador Dalí" (1926), que teria decidida influência na obra do pintor catalão.

No período anterior à viagem aos Estados Unidos, Lorca voltara ao teatro. Já entre 1921 e 1922 escrevera uma obra para marionetes, a Tragicomedia de don Cristóbal y la seña Rosita, em que aflora um dos temas básicos do seu teatro: a anulação do indivíduo pela instituição, fundamentalmente a do casamento imposto. O texto é uma farsa para marionetes, mas é inevitável perceber que já se faz presente a tragédia, particularmente a tragédia da mulher, que dominará nas obras teatrais mais conhecidas de Lorca. A peça só chegaria aos palcos postumamente, em 1937. Uma outra, no entanto, escrita entre 1922 e 1925, Mariana Pineda, iniciaria a conquista das platéias por Lorca com sua estréia em 1927. A obra tem como protagonista uma heroína granadina da luta dos liberais contra a ditadura de Fernando VII, executada em 1831, que Lorca faz vítima também de uma paixão não correspondida, o que leva a personagem a assumir-se como símbolo da liberdade e, assim, poder ser identificada com esta, que parece ser o único amor do homem que a abandona. A estréia é um enorme sucesso.

Nesses mesmos anos, Lorca trabalhava também em outras três peças que só seriam encenadas anos depois. A primeira delas, Doña Rosita la soltera, só seria concluída em 1935, ano da sua estréia; a segunda, La zapatera prodigiosa, teria duas versões sucessivas: uma encenada em 1930, e outra encenada em Buenos Aires em 1933. A terceira, Amor de don Perlimplín con Belisa en su jardín, chegaria aos palcos em 19337. A primeira delas é o protótipo daquilo que consome as mulheres lorquianas: a espera; a segunda é uma farsa, mas expõe comicamente o trágico embate do indivíduo e a instituição; a terceira das peças mencionadas retoma o mesmo assunto, invertendo o protagonista, que passa agora a ser o velho marido.

Em junho de 1929, Lorca parte para os Estados Unidos, via Inglaterra, em companhia de Fernando de los Ríos, socialista e catedrático (deposto pela ditadura) de Direito na Universidade de Granada, um dos seus principais mentores. Viajam no Olympic, navio gêmeo do Titanic. Chegaram em Nova York no dia 25 de junho. O impacto da cidade em Lorca dá lugar a seu livro de poemas mais contundente: Poeta en Nueva York, cuja base é a denúncia da opressão, particularmente dos negros. Um outro livro de poesias, Tierra y luna, habitualmente incluído como parte do anterior, registra o modo americano de vida em imagens de pesadelo. Produto imediato de sua descoberta da América será também a sua peça de teatro mais difícil e polêmica: El público. Trata-se de uma obra voltada para o teatro, opondo o "teatro al aire libre", o teatro explícito decadente, e o "teatro bajo la arena", o teatro de sentidos profundos; a temática discutida quanto à sua representação é o amor em todas as suas possibilidades, incluindo a homossexualidade. Lorca nunca quis levar a peça ao cenário por julgar que não seria aceita à época; entregou o texto (que, depois, só se recuperaria incompleto) ao seu amigo Rafael Martínez Nadal ao partir para Granada antes de morrer, com a indicação de que o destruísse se algo acontecesse a ele8. O cinema parece ter sido uma outra descoberta americana de Lorca, que escreve Viaje a la luna, um roteiro para cinema mudo, resposta, talvez, a O cão andaluz, de Buñuel.

Na viagem de volta, em 1930, Federico faz escala em Cuba, de março a junho, onde escreve boa parte dos textos citados, começa a escrever Yerma, pronuncia conferências e compõe "Son", poema de intensa identificação com o ritmo afro-cubano, como contrapartida à angustiada poesia de Nova York. Lorca chega à Espanha em julho, quando já havia morrido, após demitir-se, o ditador Primo de Rivera. A monarquia estava com os dias contados, em meio a um clima de enorme instabilidade política. Em 12 de abril de 1931, após a partida da família real, é proclamada a República. Lorca participa, em Madri, de uma passeata republicana, em cuja primeira fila ele marcha, e que é dissolvida pela Guardia Civil. Nesse ano, Lorca escreve a peça Así que pasen cinco años, chamada por ele de "lenda do tempo", que, junto com El público, faz parte do chamado "teatro impossível" de Lorca (aquele que o poeta considerava seu verdadeiro teatro), embora nada mais seja do que a transferência a uma nova linguagem dos conflitos onipresentes em sua produção dramática. Só seria representada em 1978.

Federico identificar-se-á profundamente com o projeto educativo e cultural da República e caber-lhe-á uma participação direta como diretor do grupo teatral de estudantes La barraca, o qual, entre 1932 e 1936, percorreu 64 cidades e povoados da Espanha levando o teatro de volta ao povo em mais de cem representações de treze peças. O ano seguinte seria o da estréia triunfal de Bodas de sangre, a tragédia rural em que Lorca registra o círculo fatal da sociedade movida pelos interesses econômicos, em que é esmagado o amor e, com ele, o indivíduo. O sucesso da obra inicia a liberdade econômica do poeta. Sobe ao palco também Amor de don Perlimplín con Belisa en su jardín, pronta desde 1929. Nesse mesmo ano de 1933 registrava-se a matança de camponeses anarquistas em Casas Viejas, fato que prenunciava a guinada à direita que a República daria no ano seguinte, 1934. Em setembro de 1933, Federico embarca para a Argentina, com escalas em Rio de Janeiro e Santos, para viver mais de cinco meses de intensa e triunfal atividade em Buenos Aires: conferências, primeiro encontro com Neruda, reestréia de Bodas de sangre e de Mariana Pineda, encenação de sua adaptação de Tragicomedia de don Cristóbal y la seña Rosita, com o título de El retablillo de don Cristóbal, estréia da segunda versão de La zapatera prodigiosa, direção de La dama boba, de Lope de Vega, leituras de poesias, viagem a Montevidéu etc. Em março de 1934, Lorca volta para a Espanha, onde chega com uma coleção de borboletas brasileiras presenteadas a ele na escala no Rio de Janeiro, e encontra o país nas mãos da direita vencedora das eleições realizadas em novembro de 1933.

1934 será para Lorca o ano da morte do toureiro e amigo Ignacio Sánchez Mejías, fato que levará o poeta a escrever o "Llanto por Ignacio Sánchez Mejías", uma das mais comoventes elegias produzidas em língua espanhola. Termina de escrever também El diván del Tamarit, livro de poesias com que pretende homenagear, no título, os antigos poetas árabes granadinos. E, em dezembro, vê subir ao palco a segunda das suas tragédias rurais, Yerma, escrita ao longo de cinco anos. A estréia é um sucesso, o que não impede - pelo contrário, estimula - a furiosa reação das direitas, que atacam na imprensa tanto a obra como seu autor, cuja homossexualidade é condenada cada vez mais com maior ênfase. A tragédia da mulher condenada à esterilidade denunciava, no entanto, não apenas uma sociedade enrijecida mas, talvez, a própria Espanha esterilizada pelo poder conservador. Sintomaticamente, a chegada da Ceda (Confederación Española de Derechas Autónomas) ao poder, em outubro de 1934, havia tido como resposta um movimento grevista que culminou com a sublevação armada dos mineiros nas Astúrias; esta fora sufocada em duas semanas mediante operações militares dirigidas, de Madri, pelo então jovem general Franco. Com o pretexto da revolução de outubro, a repressão acirrara-se. Os presos políticos chegaram a 30 mil.

1935 será um ano de grandes sucessos para Lorca. Homenagens e leituras de poemas, representações teatrais, publicações de poemas etc. culminam com a estréia em Barcelona, em dezembro e com grande sucesso, de Doña Rosita la soltera, o texto mais longamente trabalhado por Lorca. Trata-se da tragédia disfarçada de uma Yerma cor-de-rosa que murcha lentamente, na inútil espera do amor, confinada no espaço que a burguesia granadina concedia à mulher.

Esse clima de êxitos de Lorca, não se pode esquecer, coincidia com a crescente tensão política. Em 1936, esta se agravaria com o triunfo da Frente Popular nas eleições de 16 de fevereiro.

No dia seguinte, porém, já antes de serem conhecidos os resultados, os militares anti-republicanos iniciavam os preparativos para o golpe. Por sua vez, logo depois de assumir, o novo governo colocou em liberdade os 30 mil presos políticos e afastou dos centros de poder os militares sabidamente golpistas, como Franco e Goded, destinados às ilhas Canárias e Baleares, respectivamente.

Após o triunfo da Frente Popular, em fevereiro de 1936, García Lorca deixou mais claro ainda seu posicionamento político. Antes mesmo das eleições, ele participara de atos em apoio à Frente. Depois, será um dos assinantes do telegrama enviado a Vargas solicitando a liberdade de Prestes (28/03); denuncia a profanação que significa o uso da Alhambra para ritos cristãos (05/04); participa das comemorações do 1o de maio; participa da organização de um jantar oferecido a representantes da Frente Popular francesa (22/05); condena a ocupação de Granada pelos Reis Católicos, em 1492 (10/06); resiste, no entanto, às fortes pressões de seu amigo Rafael Alberti e da mulher deste, María Teresa León, para filiar-se ao Partido Comunista. Ao mesmo tempo anuncia estar trabalhando numa nova peça teatral sobre a fome.

Entre 1935 e 1936, Federico se dedicou a compor os Sonetos de amor, inusitada e magistral abordagem dessa forma poética com que se volta para um finíssimo erotismo polivalente9. Durante o mês de junho de 1936, García Lorca dedica-se febrilmente a escrever - e ler para os amigos à medida que a escrevia - La casa de Bernarda Alba. A peça, sabidamente tomada da realidade e pensada - nas palavras de Lorca - como um documentário fotográfico que apresenta um drama de mulheres nos povoados da Espanha, constitui também uma fortíssima denúncia da autêntica escravidão daquelas destinadas a servir aos mais ricos. Era a amplificação e encenação da famosa frase pronunciada pelo poeta em dezembro de 1934: "Eu sempre serei partidário dos pobres, dos que nada têm, e aos quais se nega até a tranqüilidade do nada".

No dia 13 de julho, Lorca viaja de Madri para Granada. Quatro dias depois, os militares fascistas se sublevam contra o governo republicano. Os golpistas se apoderam de Granada, que, no entanto, fica isolada, no meio de um território ainda republicano. Isto levou a que os sublevados passassem a prender e assassinar o maior número possível de partidários da República, antes de uma eventual retomada da cidade pelas forças leais ao governo. Além de ver detido Manuel Fernández Montesinos, seu cunhado e prefeito socialista de Granada, Lorca e sua família sofrem, de imediato, pressões que o levam a pedir refúgio na casa do poeta amigo Luis Rosales, cujos irmãos mais velhos eram notórios falangistas.

No dia 16 de agosto, de madrugada, foi executado Fernández Montesinos. Na tarde do mesmo dia, Ramón Ruiz Alonso, antigo deputado pela Ceda e rival da Falange, deteve García Lorca, no intuito de comprometer publicamente os Rosales pelo refúgio dado ao poeta, a quem acusa por escrito de ser espião russo, de ter sido secretário de Fernando de los Ríos e de ser homossexual.

Na madrugada do dia 18 (ou 19), Lorca foi levado junto com Dióscoro Galindo González, professor primário, até uma colônia de férias escolares, a nove quilômetros de Granada, entre os povoados de Víznar e Alfacar, transformada pelos fascistas em cadeia para os sentenciados à morte. Juntaram-se ali a dois banderilleros condenados por serem anarquistas. Antes do amanhecer, os quatro foram levados rumo a Alfacar. Federico e seus companheiros foram assassinados numa curva do caminho, junto de uma oliveira, a poucos metros de uma fonte que os árabes chamaram de Anaidamar, que quer dizer "a fonte das lágrimas".


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*Mário M. Gonzáles é professor titular de Literatura Espanhola na USP e autor, dentre outros livros, de El conflicto dramático en Bodas de sangre (FFLCH/USP, 1989).

Um comentário:

Giuliano disse...

mto bom ... mto bom msmo , porem nao tem nada de bibliografia oO